quarta-feira, 28 de março de 2012

FEITO MAGIA

FEITO MAGIA
Autor: Nilton Bustamante

Estava eu no mundo da Lua
E de lá vi uma tribo
Toda nua
Se completando
Feito macias mãos trançando no ar
Imaginação do encanto
Quando tudo é magia, é amor

As águas tão limpas,
E de tão próximas
Assisti uma flor vindo do fundo,
Olhava pra mim,
Como se fosse possível, tão longe
Ser tão perto

A flor, ninguém reparou,
Traços tão gentis,
Cores que nunca vi,
E o giro era lento, lento, o tempo não passava,
Meu peito não suportava a espera
Feito pássaro que flutuava
Sem conseguir colocar os pés e o olhar
Naquele mundo
Que era todo lua, todo mel

E o encanto daquela flor,
Que veio do nada, cair em minha mão, se entregou,
Se agigantou, cresceu, cresceu...

O lago virou mar; a flor minha ilha...

Somente queria saber da flor que veio à tona feito magia,
Magia de única flor,
Pétalas estampadas de amor
Agora trago em segredo
Mais guardado,
No sonho mais esperado de cada noite
Em meio ao livro
De páginas contidas que se abrem aos pedidos dos beijos meus
E que se fecham silenciosas a cada manhã




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Zé Manoel _ Valsa da Ilusão
http://www.youtube.com/watch?v=QQzECfgPRxY&list=PL642B7EFE549BDE30



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terça-feira, 27 de março de 2012



O MENINO, A FLAUTA, O GATO E O HOMEM DA MOTONETA

Autor: Nilton Bustamante

Uma rua. Essa diferente. O que tem de igual às outras é a mesma condição surrada pelo tempo. Segue desde feita a mesma situação. Calçadas que muitos não sabem se ficam ou se vão... Mas, essa é diferente, ah, se é!

Uma rua, outro planeta. De tudo há somente três seres: o menino com a flauta, o gato que espia e o homem que se vai caminho acima em sua lambreta, ou será motocicleta, ou motoneta, sabe-se lá?  Parece que nesse planeta há essa única rua surrada pelo tempo que segue a mesma direção talvez para não se perder... Mas, essa rua – vejo – não é uma qualquer, é mesmo diferente.  Na casa antiga, degraus altos, pintura desbotada – mas, quem se importa? –, dá tão bem pro menino sentar-se no trono, último degrau, pés descalços, calças enroladas até aos joelhos pra entrar na lama, se afundar no barro, sentir a liberdade da terra e da água, a cócega das asas nos pés pra correr, voar, cada vez mais quando quiser, quando sentir vontade pra ir até aonde der...

O gato, ah, sim, o gato, preto na parte de cima, branco na parte debaixo. Nas patas e na calda escorrem o resto do preto. Olhos e ouvidos atentos. Ah, como gosta de música esse felino! Não tira a atenção do menino, que toca, sente o doce gemido da flauta, algo vindo lá do fundo do fundo do fundo do coração, tão simples, tão reto, tão sincero, tão repleto com tanta água, com tanto barro, a mesma liberdade, a mesma forma do voo dos pássaros, o mesmo céu sem chapéu...

Será que esse bichano está hipnotizado? Tudo parou, tudo está parado. Estagnado. Parece fotografia, tela de quadro, fantasia sem parede, sem retângulo, nem quadrado... O menino toca e o tempo para. Ai, eu parei. Eu não consigo tirar mais os meus olhos de cima desse menino, desse gato, e do homem que se vai com sua motoneta. Se essa calçada fosse um passo a menos, talvez eu conseguisse colocar os meus pés, aí seríamos 4 − pensando melhor acho que não caberíamos, seríamos muitos, excesso de contingente, lotação , confusão, melhor não, melhor ficar aqui esticando meus ouvidos pro menino com sua flauta mágica, ficar mais perto, sentir daqui, ficar na zona do agrião, ficar quietinho sem atrapalhar essa emoção...

Pergunto, onde estarão as outras pessoas? Quem cuida dessas casas? Quem varre essa rua? Quem dá comida pro menino e pro gato? Quem lava essas roupas marcadas de barro? Quem deu a flauta mágica com o doce das notas pro menino? Devem ser outras pessoas que foram pra um planeta distante... Voltam quando o menino já estiver dormindo, quando já for noite. Acho que foram pra longe, trabalhar, buscar o leite, trazer o pão.

Ah, esse menino não atirou o pau no gato, fez melhor, muito melhor: o pau virou flauta, notas doces, ficou mágica...

Nossa, será isso mesmo?! Sabe o que pensei, o que imaginei? Será que pode ser?...

Ah, esse felino é danado, é mesmo esperto, sabichão! Agora percebo o que esse gato sem botas, preto na parte de cima, branco na parte debaixo, nas patas e na calda escorrendo o que sobra do preto, olhos e ouvidos atentos, bichano 7 vidas, vê com seus olhos telescópios: aquelas águas e barro dentro do coração do menino é excesso de material divino que o Criador deixou. Ficou por isso mesmo. Um presente. Só pro menino ser diferente, alegrar a solidão dessa rua, que tem de igual às outras de outros cantos, de outros lugares, a mesma condição surrada pelo tempo, seguindo desde feita a mesma direção pra não se perder, calçadas que muitos não sabem se ficam ou se vão... Mas, essa rua, tem mesmo um quê de diferente, tem o menino com a flauta, o gato, e o homem que se vai caminho acima em sua motoneta... E eu aqui ouvindo, ouvindo, ouvindo o doce da canção, querendo colocar meus pés nas águas e no barro, quem sabe alguma cócega, algumas asas nos meus pés, sair deste chão?

Vou à janela e olho pra minha rua... Parece que ouvi... voz de menino.


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"La notte", Vivaldi”
http://www.youtube.com/watch?v=qnIB_BDPU_w&




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sábado, 24 de março de 2012

MENINAS ALPINISTAS
Autor: Nilton Bustamante

Vencer o desafio da gravidade,
Um bandeirante, um astronauta, um ser da mata, escalando a pedra que se mostra montanha...

Uma corda, a boca do estômago que não se decide entre o friozinho e o sorriso...

Tudo é infância, tudo é felicidade!
Tudo desde agora é saudade!


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(foto: riquezas da Daniela)


PELO CAMINHO UMA PORTA, UMA JANELA
Autor: Nilton Bustamante 

Era apenas uma porta, uma janela... Ao menos parecia ser assim.
Abria pro nada logo na entrada do meio do caminho.

Talvez não fosse uma porta, nem janela, talvez fosse apenas uma tela, 
Ah, sim, uma tela, pois estavam um céu inteiro com sol e um coração visitando uma flor... 

Parecia coisa de magia, brincadeira de menina. 

Era apenas uma porta, uma janela, 
Com um trinco que não servia pra nada, enferrujado, sem uso 
- Pra quê, qual serventia teria mesmo ali? 

Mas, quando se abriu o que seria porta, o que seria janela no meio do caminho, 
Um mundo novo se abriu: a liberdade!, a descoberta!, a imaginação do ser!...
Que o ser é humano e possui raiz (tem os pés na terra),
É rio, lago, lágrimas e mar (possui todas as águas em si), 
É bicho ave pelos céus (arrasta-se, caça, voa pensamentos sem fim)...

Parecia coisa de magia, brincadeira de menina. 

Mas nunca mais o coração quis ir pra outro lugar, ficou ali, encantado,
E tudo parecia ser somente uma porta, uma janela no meio do caminho, esperando você chegar.

SAPATILHAS Autor: Nilton Bustamante

Veio voando pelo ar
Veio na noite
Despertar esse tal mistério
... Sonho de um filme bom

Veio voando bailarina
Veio na noite
Despertar esse tal mistério
Meia-noite achei tão suspeito
Sapatilhas esquecidas em meu peito...

Uma mentira não pode ter tanta verdade assim...
Quero também voar
Quero também voar

Ah, menina-bailarina foi não sei pra onde
Pare de brincar de esconde-esconde
Menina-bailarina foi não sei pra aonde
Pare de brincar

Menina-bailarina não esqueça, tuas sapatilhas
estão aqui em meu peito
Essa noite vou esperar teu voo pra te amar

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DOMINIQUE
 Autor: Nilton Bustamante

Tão menininha e já pulando de nuvem em nuvenzinha. Olha pra baixo e ri de todo mundo que não sabe brincar.

Ah, que alegria dessa menina menininha, seu coração brilha a luz dos anjinhos, não quer que sua mãezinha sofra ou chore, essa menina meninha quer ver todo mundo feliz, que a vida é eterna, é bendita, é bonita!

Tão menina menininha e já fazendo dos nossos céus de nuvens nuvenzinhas tudo virar alegria, tudo tão pertinho, é só estender a mão e brincar de roda, cantar canção das crianças, contar historinhas em forma de oração...

Ah, essa menina menininha!... Quer que tudo fique dia de sol, brincar de pic-nic no parque, correr atrás, pega-pega, pular corda, ah, Dominique você quer ver todo mundo feliz, que a vida é eterna, é bendita, é bonita e precisamos nos lembrar que nada se perde, nenhum amor se desfaz...

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(homenagem à Dominique que está no céu, essa semana faria 5 aninhos)
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quinta-feira, 22 de março de 2012


CANÇÃO FRIA autor: Nilton Bustamante


E como se a neve caísse suave

Queimasse pouco a pouco e não se sentisse
Nem o frio, nem a dor...

Leve e transparente tecido
Deixando-nos a sós,
Uma nave partindo desconhecido
A mulher amada no colo, presa somente com um beijo
Condoído, delicado
Soluços, gritos, vulcões seguros com as palmas das mãos

E apenas palpitar os arrepios
Sem que pudesse esconder ou se arrepender
Apenas fome de amor...


Talvez a fome seja sua, talvez seja minha
Dizer sem querer que há saudade
Há falta, há lágrimas nas partidas e nas chegadas

Essa mão? Quer mesmo saber? Não percebeu ainda?
É a minha, alisando essa saudade, essa vontade de jorrar você!



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Klaus Nomi - The Cold Song
http://www.youtube.com/watch?v=3hGpjsgquqw&





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Interrogação
Florbela Espanca


Neste tormento inútil, neste empenho
De tornar em silêncio o que em mim canta,
Sobem-me roucos brados à garganta
Num clamor de loucura que contenho.

Ó alma da charneca sacrossanta,
Irmã da alma rútila que eu tenho,
Dize para onde eu vou, donde é que venho
Nesta dor que me exalta e me alevanta!

Visões de mundos novos, de infinitos,
Cadências de soluços e de gritos,
Fogueira a esbrasear que me consome!

Dize que mão é esta que me arrasta?
Nódoa de sangue que palpita e alastra…
Dize de que é que eu tenho sede e fome?!


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quarta-feira, 21 de março de 2012

GAVETA ABERTA
Autor: Nilton Bustamante

Hoje, agora mesmo, encontrei em uma gaveta qualquer essa poesia...
- tão gostosa de se ler, tão gostosa de abraçar.
As poesias são assim... Um pedacinho de felicidade, um pedacinho de tristeza.

Hoje, agora mesmo, encontrei esse sentimento em um descuido qualquer...
- tão gostoso de sentir, tão gostoso que gruda macio, gruda forte no coração.
Os momentos são assim... Eternidade. Algumas vezes se guarda pra não esquecer.

Ouvindo Madredeus no Porto
Cantando silêncio, pedindo pra poder se ouvir
A canção que muda de letra toda vez que se canta, toda vez que se tenta...

Uma gaveta qualquer
Uma Eternidade qualquer
Um pedacinho de felicidade, um pedacinho de tristeza.

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http://www.youtube.com/watch?v=JCvHFswuWkA&
Madredeus

terça-feira, 20 de março de 2012

MONTMARTRE ET LES ENFANTS



MONTMARTRE ET LES ENFANTSAuteur: Nilton Bustamante


De ma chambre,
J'entends les voix courues des enfants... 
- elles sont nombreuses.

Elles doivent être, elles doivent venir de cette école
auprès de laquelle je suis passé à côté l'autre jour...

Ah, cette ruée des petits garçons!
Ah, ces aigus des petites filles!...

Et je souffle mes jours
l'un après l'autre,
(qui) deviennent nuits!

Je souffle un souffle bref, rapide, certain
je souffle un souffle long,
Parfois voulant que tout s'arrête bientôt
D'autres fois qu'il reste un goût d'un peu plus...

J'entends les voix courues des enfants de Montmartre
Saute du lit une envie d'aller dans la rue
Respirer profond vers d'autres souffles plus...
...




(mon premier poème à Paris, 14/03/2012)


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traduzido para o Francês por Clayton D. Cruz.

MONTMARTRE E AS CRIANÇAS


MONTMARTRE E AS CRIANÇAS
Autor: Nilton Bustamante


Do meu quarto
ouço vozes corridas das crianças
- são muitas.

Devem ser, devem vir daquela escola
que passei ao lado outro dia...

Ah, essa pressa dos meninos!
Ah, esses agudos das meninas!...

E eu assopro meus dias
um após outro,
viram noites!

Sopro um sopro breve, rápido, certeiro
sopro um sopro longo,
às vezes querendo que tudo acabe logo
outras que permaneça um gosto de mais um pouco...

Ouço vozes corridas das crianças de Montmartre
pula da cama uma vontade de ir pra rua
respirar fundo para outros sopros mais...

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(minha primeira poesia em Paris, 14/03/2012)

terça-feira, 6 de março de 2012

MENINA DO ACORDEÃO



MENINA DO ACORDEÃO
Autor: Nilton Bustamante

Um chapéu de palha ou sei lá do quê no chão duro
Às vezes um banquinho, ...
Os ouvidos presentes e os pensamentos longe, muito longe
Pelo longe da estrada que se vão pelos olhos da menina do acordeão...

Sapatos vermelhos, pretos, brancos, outros gostos, outras cores
Marcham, passam, desfilam, feito formigas com hora marcada, perdidas,
Sem sentido, não se dão conta do vazio que estão...

Um acordeão recebendo o carinho de dedos ágeis, finos, femininos,
Mas o que importa se a “Inês é morta”? e ninguém quer saber
Parar para ouvir, agradecer esse momento delicado, lindo,
Dessa magia pelos ares, espalhadas notas musicais que são leves feito Luzes,
Eu sei, estou vendo, estou ouvindo

Essa delicadeza, essa certeza, que de tão doce não saem em jornais...
Se fossem outras notas, outras durezas, outras barganhas, talvez
A loucura explodisse de vez
Mas é música, somente para um chapéu vazio amaciando o chão
E para muitos, nada mais, nada mais... que um realejo e alguém tirando
A sorte ou algo mais!...

Que a magia pudesse molhar os mármores
E a música ao tocar os olhos de quem passasse começassem umedecer
Ao ouvir a menina tocando lindo seu acordeão
Em cada lamento, uma oração

Talvez eu pudesse ser aquele chapéu abraçando macio
O duro do chão
E o meu coração agora, ao menos mais em paz...


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http://www.youtube.com/watch?v=pq3Y868_gAY&

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sexta-feira, 2 de março de 2012

SOMOS NOITE




SOMOS NOITE
Autor: Nilton Bustamante

Tá, Ok, você dançou
Dançou em volta de mim, fez fogueira,
Me fez ficar a noite inteira com os olhos querendo
E agora você vem me tira os sapatos e me faz pisar em brasas...
Cantou suas canções suaves de amor,
Me fez ficar a noite inteira com meus lábios querendo
E agora você vem tira de mim o que bem quer e me faz voar sem asas entre paredes...
Você não entende que agora estou assim, em suas mãos
Pra virar seu pacote, seu presente pra rasgar por inteiro, aos pedaços
Enrolar nos lençóis
− E logo eu que tenho medo de alturas?! −...
Essa sua boca que ameaça e não fala,
Geme, geme, geme
E eu fico sem precisar entender; eu já sei, ah, como sei
Seus comandos, seus desejos e vontades, subindo em montanhas russas de almofadas
Se atirando pros abraços que não são redes, são perdição...
Ah, eu sei bem de você, eu sei...
Eu mando, e eu obedeço
Você me fala que a gente se entende
É sempre assim, essa vontade de ficar juntos, o beijo nos varais pra escolher um a um
É mesmo feitiço que você colocou em mim
Deixe, então, a janela toda aberta,
É tão bom amar olhando o céu, olhando seus olhos
Você se acomodando toda, me fazendo tapete
Voando baixo, voando alto, esse friozinho por dentro
Percorrendo a espinha, frisson pedindo bis...
Somos mesmo assim,
Esse imã, essa força, esse melado, essa pegação
Cachorros vira-latas no cio
Somos pés descalços, buscamos esconderijos no quintal
Somos música invadindo tudo
Cobrindo sussurros, segredos que seus olhos disseram pra mim
É tão bom amar olhando o céu,
É tão bom amar olhando você quando somos noite
E você olhando pra mim...
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Nina Simone _ I Put Spell On You
www.youtube.com/watch?v=xDprYZ-tgiA&
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quinta-feira, 1 de março de 2012

NÓS DOIS
Autor: Nilton Bustamante

Hoje ensaiei pegar o telefone, falar com você
Não sei bem o quê
Mas, qualquer silêncio já bastaria, só por saber você ao meu lado
Queria falar a poesia de hoje, que fala de amor

Hoje esse calor está me derretendo todo
Hoje essa vontade, essa saudade está me deixando todo assim,
Querendo abraçar o que está longe
Trazer pra perto, bem perto
 
Eu ensaiei tanto, mas
Talvez não fosse o momento, não fosse nem o dia nem a hora,
Talvez não fosse o melhor jeito
Pra você entender o que sinto, o que saiu de controle derrubando tudo, muros e paredes
 
Talvez seria melhor uma briga de travesseiros
Falar besteiras
Dividir a partilha, dividir você ao meio, e não mais voltar
 
Hoje está assim,
Meu coração está querendo falar com você
A poesia de hoje, que fala de amor
Que fala de nós dois...
 
...
 
http://www.youtube.com/watch?v=6a814pKXdqM&

Keane