sexta-feira, 10 de abril de 2015

VOO BEIJO


VOO BEIJO

Autor: Nilton Bustamante

Trocar o hálito da vida
Lamber tudo que não for ferida
Encostar o carro e buscar a pé cada calçada
Cada golpe de vento
E se fazer ir contra o mundo pra levantar voo

Esta poética deixar pela metade, deixar pra depois

Pra não querer tudo em única vez
Melhor areia movediça
Quanto mais se mexe mais se afunda
Quanto mais se busca
Mais e mais a incessante procura

Hoje é preciso a noite, as madrugadas

Tanto que minha tarde foi linda
Foi pelos olhares
Quando te encontrei
Nas calçadas, contra as ventanias e os ventos

Ensaiei o beijo que veio voando, voando, voando
Já sabia que era o teu...


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Gisela João - Vieste do Fim do Mundo
https://www.youtube.com/watch?v=TdL-MHtRzD4




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quarta-feira, 1 de abril de 2015

ESPANTO


ESPANTO
Autor: Nilton Bustamante
Enquanto eu vento vejo teu encanto que das flores és sonho meu
Em primeiro encontro
Eu que prometi um dia a não mais sentir o que da alma fosse deste encanto
Tenho que admitir que não tiro os meus olhos dos teus
Em alucinante som de amor pelos meus cantos que são todos caprichosos labirintos
De tal maneira e jeito que não faço outra coisa que me apaixonar
Suspirando alisando as imagens de nossos molhados encontros
Desses dos amantes que não se desgrudam,
Nem que lhes peçam nem que lhes apontem os defeitos dos excessos
Enquanto eu canto a poesia que me provoca se faz cada vez mais sentida
Cada vez mais mordida em teus lábios aceitando o beijo que agora é todo teu
Ah, o desejo que ora está longe, ora está feito brincos e colares enfeitando
O teu corpo nu
Abrindo a janela e dando boas vindas à brisa
Que traz notícias minhas
Que enlouqueci, que os desejos são açoites cortando o profundo de minh'alma
Tanto, tanto que sofri agora hei de rir sem se importar se corro perigo,
Ou se desejo apenas o doce do abrigo
Feito quem lambe as entranhas e se diverte com as tatuagens
Que queimam febris...
Ah, meu amor, tu que em um ardido grito
Deu tua independência, que não mais te importa em mostrar-te
Do teu jeito
Do teu sozinho caminho
Que agora tem as marcas de nossas formas,
Tem agora o salgado e o doce de nós dois
Em rastro de felicidade que, por tudo que passamos, já foi indelével disfarce
Pelo mundo de verdades e mentiras
Tempo, mostra-nos, oh, sim, mostra-nos que tu és agora nosso melhor amigo,
Que a vontade é maior e a certeza é o nosso melhor espanto, nessa perdição e encontros de amor!
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Gisela João
https://www.youtube.com/watch?v=TdL-MHtRzD4
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segunda-feira, 30 de março de 2015

QUANDO SE ORA, HÁ SEMPRE UMA SAÍDA



QUANDO SE ORA, HÁ SEMPRE UMA SAÍDA
Por Nilton Bustamante (em desdobramento de alma)

Adormeci e segui para outro plano. Mas não fui longe. Minha alma permanecia em meu quarto. Via tudo sem novidade alguma, quando uma vibração extremamente negativa veio em minha direção. Era algo muito ruim, dava para sentir de forma quase inexplicável a má intenção de sua origem. Tentava de todo jeito me constranger para dominar-me. Logo notei de quem partia tão baixa manifestação: estava presente um espírito determinado em me aniquilar, feito uma ventosa venenosa tentava me bloquear, isolar, de tudo fazia em nefastas artimanhas para impossibilitar-me qualquer tipo de contato mental ou espiritual. Esse ser emanava ondas mentais para me intimidar, expressava ele que nada nem ninguém poderia me ajudar e que eu seria cercado pelo todo e ficaria subjugado ao seu domínio (dele, espírito).

De fato ele isolou-me completamente, ou quase completamente. Eu percebia e via dessa forma, nitidamente, todo o isolamento em que me encontrava.

Para detalhar um pouco mais, aquela figura não era a figura de um homem, mas de uma energia que lembrava um ser humano. Todavia, algo me saltou aos olhos: em um de seus braços havia uma profunda ferida de tamanho substancial.

Procurei me acalmar, controlar meus pensamentos, e intimamente comecei a orar para Jesus, rezar o Pai Nosso, pedindo auxílio para as esferas superiores para abraçar aquele irmão em desequilíbrio moral e espiritual e a mim mesmo, para socorro de ambos. E num piscar de olhos em vez de ver raios de luz ou algo parecido, vi um vapor de energia luminosa que se movimentava vindo do alto. E esse luminoso vapor condensou-se em uma retilínea direção, se posso assim dizer, e adentrou na ferida do braço daquele ser trevoso, passou por ele e chegou a mim, libertando-me de imediato e enfraquecendo o desventurado ser.

Logo refleti o quanto a Sabedoria Bendita soube agir...

Livre, despertei e orei com mais equilíbrio e pedimos que aquele irmão e outros que por ventura estivessem em desregrada aventura, fossem levados ao Pronto Socorro Espiritual Pais e Filhos, cuja mentora daquela casa de orações, nossa Irmã Joana e sua equipe socorrista, pudessem recebe-los e encaminha-los aos propósitos da caridade.

Que Jesus Cristo seja louvado hoje e sempre!

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segunda-feira, 23 de março de 2015

deuses de Deus



deuses de Deus 
autor: Nilton Bustamante
Tudo é muito rápido mais que uma noite mais que um dia mais que um momento nossa lembrança é piscar de olhos nosso tempo é despertar de cílios e o convite à Vida se faz e uma vez mais novo ciclo nova ciranda novo parar de coração em novo ventre o chorar mais uma vez na escola sem memória dessas que estamos acostumados agora para nos poupar sem vírgulas sem hiatos e a eternidade festeja nosso giro somos gametas cometas a circular pelas galáxias sem número de se contar tudo tudo tudo para virarmos em nova órbita para sermos planetas sermos minúsculos deuses nos planos maiores e divinos de Deus!

terça-feira, 3 de março de 2015

Hoje acordei com meu coração cantando


Hoje acordei com meu coração cantando
Autor: Nilton Bustamante

Correr nem sempre faz chegar primeiro
Nem sempre se leva o primeiro lugar
O que temos talvez possa esperar
Em algum canto qualquer
Até que o tempo possa lentamente chegar
No último pensamento
Que foi meu pra você
Quem sabe então
O que sonhamos ainda tem que acordar
Fundo de mar às vezes é para quem está coberto com medo do frio
Ou apenas um lugar de quem foge com medo de se afogar
Mas eu quero tirar a intimidade e a camisa
Deixar meu coração nu
Livre e inteiro feito brisa
Caminhar igual alguém que vai de braçada seguindo o amor passar
Pelas calçadas, pelas trilhas esquecidas
Que se vão pra longe, que nunca se sabe aonde vão dar
Ah, meu bem,
Esse amor que se ama sem saber
Quantas luas serão nossas, quantas teremos que apagar
As luzes e esperar o sono daqueles de quem canta à noite
De bar em bar
Ou que faz mil poesias perdidas
Que esperam brotarem rosas para viajar em cada botão...
Esse silêncio que só eu ouço no ar
Às vezes murmúrios pelos cantos do quarto
Palavras antigas, esquecidas, de promessas e canções
Que não saem de moda
Que falam de amor
Pra mim lembrar de você
Já pensei em chorar, mas a fonte secou
O tempo faz dessas coisas
Nos deixa alegres tristes
E uma baita vontade de amar, sempre que o coração acorda cantando
Sorrindo, acreditando que logo mais à noite
O nosso encontro será lua de amantes
Raios prateados e azuis
Desses que nos atravessam e nos ferem de vida e esperança e amor

Hoje acordei com meu coração cantando, sorrindo, cantando você...



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Franz Liszt: Liebestraum cello and piano
https://www.youtube.com/watch?v=eW_MAQj0aIA
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

COISAS DE AMOR


COISAS DE AMOR
Autor: Nilton Bustamante​

Quando eu sinto que o ar está mais suave, a rua mais deserta, quando penso que as árvores começam a dançar, percebo que alguma coisa está acontecendo, pulsando, batendo forte querendo de alguma forma chamar minha atenção, voo por encanto feito pássaro, vou olhar suas guardadas fotos para me apaixonar um pouco mais...

Acreditando tudo ser real, seus olhos como se fossem em minha direção, como se sorrissem enquanto eu mirasse e escorregasse com você para dentro de mim...

Nessa foto, recortei mil vezes e me sentei no lugar mais desejado, perto, muito perto, bem ao seu lado, entrando em seus cabelos, raspando o rosto em sua orelha e sorrindo infinito coisas de amor.

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Keane
https://www.youtube.com/watch?v=53KrJSPN-58

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sábado, 14 de fevereiro de 2015

NEM TUDO É FESTA



NEM TUDO É FESTA
Por Nilton Bustamante, em desdobramento de alma

De madrugada, desperto com alguém enviando-me a seguinte mensagem: “Pai, envia-nos de vossa Luz, guardai-nos contra todos aqueles de agressividade moral!”.

Volto a adormecer, e eis que, novamente, desperto com a mesma mensagem, nítida, em alto bom e som...

Por ser perto das 5 horas, durmo novamente, só que desta vez sou levado, em desdobramento de alma, por uma irmã na postura de orientadora, séria e silenciosa. Estamos em um lugar que lembra praia semi-habitada. Chega um grupo, pequena turba de homens e mulheres, a maioria jovens, que lançam as suas roupas ao chão e correm para os locais mais afastados em frenesi descomunal; parece que há grande desespero neles.

Não tarda e essas pessoas começam a fazer orgias; no entanto, a vibração vinda deles traz algo constrangedor, infame, ruim de se sentir e ver. Tratam o sexo de forma muito feia, abaixo dos instintos, se é que eu possa assim me expressar.

A orientadora, essa irmã que estava ao meu lado, mentalmente, chama a atenção do grupo, em vão. Um irmão, de pele negra, imediatamente chega perto de nós e tenta impedir qualquer manifestação de nossa parte. E o delírio no ambiente é cada vez maior.

Sou trazido, em velocidade espantosa, para meu corpo físico e começo a entender o motivo do “Pai, envia-nos de vossa Luz, guardai-nos contra todos aqueles de agressividade moral!”. De certa forma, acredito, era um alerta para eu mesmo não cair em ciladas de minhas precariedades morais, e aprender algo com tudo aquilo, de alguma forma diante do quadro daqueles irmãos desajustados. Nisso, vem-me à lembrança as palavras orientadoras de nossos irmãos na última reunião na Casa Espírita (onde estudamos, pouco a pouco, as obras básicas da codificação de Kardec) sobre os cuidados com os destemperos morais que costumam rondar os seres humanos, encarnados e desencarnados, nas festividades do Carnaval.





sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

VÉU DE NOIVA


VÉU DE NOIVA
autor: Nilton Bustamante

Vai, lança-te no vácuo que espera o encontro do abraço, vai, lança-te como quem não tem mais nada a perder, quem não tem mais nada além da vontade de ser chama, ser programa de eterno fim de semana nas cachoeiras geladas que tiram o ar, que tiram todos os receios e dá lugar à vontade de amar, ali mesmo sob o altar de águas que se faz véu de noiva em lua de mel...

Vai, meu amor, que eu mesmo já não posso mais com esta promessa de não enlouquecer, de te surpreender em um lance de faminta onça, bicho do mato, pular com afiadas garras e rasgar-te o peito, fazer jorrar prazer e lamber as feridas para logo mais tudo refazer, as mesmas fantasias, os mesmos rios escorrendo entre as fendas, e saciar a sede de quem está com febre e delira ser tudo mentira, ser tudo verdade...

Ai, meu amor, lança-te que estou à espera deste teu voo, deste destemido abraço que esbugalham meus olhos para logo mais adormecerem, entregando-me aos doces encantos teus... Vai, meu amor, vai e não te demores que a demora dói demais...





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Alberto Nepomuceno - Prece
https://www.youtube.com/watch?v=xtxgpiAVu4k

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terça-feira, 27 de janeiro de 2015

MENSAGEM DE AMOR


Mensagem de Amor 
autor: Nilton Bustamante


Eis que o divino sopro lançou ao longe duas pequenas plumas, duas pequenas sementes repletas de vida. E a cósmica brisa que está além do entendimento humano, cuidou que o destino ao longe fosse lugar certo, e que o tempo fosse outro, para que tudo se alinhasse e houvesse o encontro, o bendito encontro que o divino coração do Criador sonhou nessa trajetória, nesse encontro de Amor.

Um traço aqui, outro acolá, e nesse mapa dos destinos o que parecia distância, foram caminhos, foram correntes das marés de tal maneira e jeito que uma pluma não saberia da outra, mesmo carregando cada qual em si algo que despertaria aos poucos, que a esperança do coração verdadeiramente traria a certeza que em algum momento qualquer se apaixonaria, e como por um encanto em que os sonhos viriam avisar em noites longas de permanências curtas nesses divinos campos separados, quando uma pluma nasce Julieta; e outra, Romeu.

Tanto Julieta, tanto Romeu, haveriam muito que aprender, muito que aflorar seus sentimentos para malharem a ferro e fogo pelo punho firme da vida, pois a preparação de algo maior, superior, há de se ter evolução, aprendizados, aprimoramentos, e a lida dos sentimentos entre seres que versam e atravessam pelas trilhas originais são sempre professores, são sempre alunos, algo por se preparar para melhor amar e servir...

E as vivências em épocas diferentes, com pessoas diferentes, são cuidados que divina natureza nos prepara para o que vai no fundo do coração que ainda não acordou, que ainda não despertou; que não houve o tempo certo, a experiência adequada, quando os abraços são ainda imaturos e que precisam amadurecer para saber o que é encostar um coração no outro e se ouvirem...

Houve-se por aí a expressão que fulano ou fulana está “perdido de amor”, mas, oh libertação das amarras do materialismo das convenções quando os corações se alegram e os olhos já não conseguem mais ver o ser amado sem ameaçar suave tempestade de cachoeiras umedecendo os olhos e fortalecendo os olhares, tornando as cores diferentes, mais limpas, mais vivas, mais sentidas, quando se anda a um palmo acima do chão sem perceber...

Ah, esse gostar que avassala e se torna chama, como explicar, a não ser imaginar as plumas sopradas pelas divinas brisas para darem volta ao cosmo para um encontro mais enaltecido de crescimento e entendimento, para ser semente, flor e servir ao mundo aos bicos dos pássaros, alimento que se termina para muito mais se renovar no propósito do Amor maior...

Ah, o amor que enaltece feito a prece que anima em energia bendita e absoluta, num misto de quase sacrilégio, quase delicado vício... Faz de quem ama pedir, obedecer e se desfazer sem fôlego num misto de gozo e dor, tirando o olhar das grosseiras paredes para perder-se em estrelas pelos céus que se vão em outros livres campos de Deus...

E a um estender de corações e no primeiro encontro dos olhares, distração qualquer, as plumas que vêm de longe longe longe acabam pousando uma ao lado da outra, e os cânticos tornam-se outros, os ventos, o passar das pessoas e das corriqueiras coisas fazem outros movimentos, tudo se torna música, tudo se torna mais sentido, mais bonito... O que era pesado, torna-se leve; o que era árido, torna-se fértil solo; o que era sem tempo algum, torna-se eternidade, e os abraços do passado, errados ou certos, tornam-se outro plano para abrir uma nova manhã, algo que pulsa forte e a vontade de gritar ao mundo que o amor é lindo, que encontrou-se a sua Julieta, que encontrou-se o seu Romeu...

Depois, percebe-se o que era parte desse dia a dia, era quase deserto diante desse novo mundo com tantas possibilidades da felicidade se instalar de vez, e fazer sentido o que um e o outro guardaram para entregarem nessa união marcada nas linhas desse divino mapa, nas almas que se largam e se entregam sem receio algum da dúvida cruel, sem medo algum de sofrer...

E, depois de todas as despedidas, dos muitos desencontros de todas as épocas, vir ao mundo justamente para ser amada, amado, é o sinal esperado para quem busca no alto do céu a estrela mais bonita para seguir na forma que o divino coração um dia sonhou nessa trajetória, nesse ponto do universo, entre duas plumas que vieram de longe longe longe se encontrar no tempo presente, presente de Amor.


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Nota do Autor: homenagem ao casal Luci Mde Carvalho Miranda e  Celso Darwin)

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(música de fundo: .
Alberto Nepomuceno - Suíte Antiga - Ária 
(1864 - 1920, um dos maiores compositores brasileiros, pianista, regente)
http://www.youtube.com/watch?v=UeAfKwIUocw


terça-feira, 13 de janeiro de 2015

ESPANTALHO DOS TEMPOS MODERNOS



ESPANTALHO DOS TEMPOS MODERNOS
Autor: Nilton Bustamante

Certa vez um moço parou diante de uma árvore (das poucas que ainda resistiam nesses tempos modernos) e riu quando pensou nos anos que alguém teve que esperar para ela germinar, crescer e virar adulta para dar sombra, beleza e frutos ao mundo; pois, o moço, em seu senso prático e visão da negação, materialista, imaginou que seria mais fácil e rápido construir estruturas metálicas cobertas de concreto que daria a mesma sombra, abrigo com uma certa estética e beleza.

Quando um pássaro pousou bem diante do jovem consumista, o mesmo pensou que poderia produzir em grande escala algum mecanismo sonoro que imitaria os pássaros, assim não se teria tanto trabalho em procurar pássaros para ouvir seus cantos, nem plantar árvores, plantas e flores para lhes convidar para outros encontros.

E uma jovem passou, olhou com certo charme na direção do moço e se foi. O rapaz, desconfiado, pensou de imediato que flertar, se relacionar, conhecer pessoas, dá muito trabalho, há muita exposição de si mesmo, melhor então ter alguém criado no tablet, na tela do computador, para lhe servir de companhia, na hora que precisasse, da forma que quisesse, sem se preocupar com sentimentos e nessas tolas coisas de amor. O botão de ligar e desligar estava ao seu alcance.

Depois disso, em uma noite qualquer, o moço dormiu e sonhou. Ele se via em um pequeno círculo, com uma também pequena multidão que envelhecia e não conhecia nada de sentimentos, de trocas, doações, entregas, tudo era prático: comprimidos para se alimenar, para emagrecer, dormir, morrer na hora que quisesse sem conflitos de consciência, sem se preocupar com o valor da vida; pois o valor era outro, era o quanto o cartão de crédito pudesse carregar, o quanto pudesse se expor nas telas sociais, o quanto o sorriso conseguisse ficar engessado para mostrar-se feliz, autossuficiente, sabendo que a Natureza era preocupação para o outro, outra geração que viria, que soubesse eles o que fazer; pois agora, na convicção do moço, não havia tempo para a demora em esperar germinar sementes e esperar crescer plantas e flores, nem árvores para colher frutos ou esperar a sombra de copas que alguém disse no passado serem frondosas. Nada disso. Nem o gosto do beijo, nem a dúvida do desejo, nem o mergulho em olhares profundos com perigos de não mais voltar, nada que desse trabalho e precisasse que fosse tão esperadamente humano.

E o sonho foi tão duro, tão concreto, do jeito que o moço sempre pautou suas questões, suas opiniões, que ele não mais sabia dizer se era a dureza do aço e o frio do concreto ou a transcendência da viagem da humana consciência, que ele se viu no meio de uma plantação de ferros, ásperos cimentos, opacos vidros e poucos paus; mas o susto maior quando ele se transformou no pior dos espantalhos: ele era um largado mostruário que de tão árido esqueceu-se de semear, plantar, cuidar de tudo quanto sua alma necessitou, era apenas um deserto em forma de homem que sempre teve pressa de tudo nestes tempos modernos e, agora, estava saturado, vencido, e a sua própria alma se foi, não mais aguentou, não poderia mais germinar sentimento algum para dar sombra e alimento a outro alguém, a um outro par.





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Pink Floyd
https://www.youtube.com/watch?v=ZAydj4OJnwQ
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sábado, 3 de janeiro de 2015

ESCOLAS DE AMOR


ESCOLAS DE AMOR
(por Nilton Bustamante em desdobramento de alma)

Em desdobramento fui levado a um lugar muito arborizado, calmo, parecido com o bairro do Pacaembu na cidade de São Paulo, e logo me deparei com uma casa antiga, dessas de "avó", tudo arrumadinho, tudo muito bonito. Na entrada havia uma placa "Patota". Fiquei em silêncio observando o que acontecia ali e não tardou para saber: o local era uma "escola para cachorros" que se preparavam para se encarnar no planeta Terra. Várias avózinhas, senhorinhas, com semblantes serenos, cuidadosas, receptivas indicavam os setores onde se encontravam os animais melhores preparados às pessoas (em espírito) que buscavam algum animal para si.

– eu estava em uma ala com muitos cachorros sendo ensinados para novas jornadas; mas, logo que perguntei mentalmente sobre animais já “prontos”, uma dessas irmãs-senhorinhas, disse-me em forma também mental que havia outra ala, mais ao alto, com animais mais inteligentes e prontos para serem escolhidos e para lá me encaminhou e fiquei estupefato com a nítida diferença no comportamento desses animais com os demais de outros setores –.

Nossos irmãos espirituais nos mostram assim, que na Pátria Celestial há várias Escolas de Amor para os "minerais", "vegetais" e "seres hominais" que devem se preparar para habitar esse planeta laboratório-escola-oficina-reformatório, divinamente formado pelo Criador do Amor!

Nada e ninguém são por acaso!

Luz, Paz e Amor a todos!





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sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

ENCONTROS DE AMOR

ENCONTROS DE AMOR
Autor: Nilton Bustamante

Um suspirar
doce e alongado,
vem por dentro, por todos os lados,
tudo que se olhe
tudo por onde se queira ir, chegar...

Ai, esse aperto no peito,
deixando sem jeito esse macio tirar de ar
coisa dos amantes,
dessas gentes que simplesmente acreditam
deixam-se ir na primeira brisa para o voo
por onde chegam os que suspiraram de amor...

Eu sei, eu sinto,
é mesmo assim
toda vez que você vem nesses sorrisos pela vida,
nessas luzes
deixa tudo mais bonito,
quando os corações cantam as mais lindas canções...

Eu sei, eu sinto,
esse seu jeito
ao meu lado fazendo presença mesmo quando não se está
mesmo quando você é Sherazade
e eu redenção feito abismado rei
ouvindo histórias que se quer, que necessita acreditar

Eu sei
esse gosto, esse gostoso abraço chegando aos poucos,
apertando cada vez mais macio,
deixando a felicidade entrar
devagar, devagar, devagar...
essas coisas para nos deixar a dúvida,
se está acordado ou pensando voar pelo espaço vazio
voos que se vão ao longe
e nos largam e não mais nos mostram como voltar...

É um desejar
o abraço entrando um dentro do outro
até não mais ninguém nos ver
até sumirmos...

Onde você e eu somos apenas mais um sonho
estrelas errantes riscando de luz as noites escuras,
que se vão pelo espaço pra onde ninguém mais verá
ninguém mais saberá

Mas, antes que se arranque os pedaços,
antes que se morda o pescoço
onde os dentes alcançarem,
antes que se sugue todos os venenos,
conversaremos, conversaremos muito,
muito tempo deslizando no silêncio
um dentro do outro,
conhecer o universo
por onde essas estrelas errantes terão que se arriscar
os muitos vazios
que queremos experimentar...

Eu sei, eu sinto,
um suspirar, doce e alongado que vem por dentro,
quase um desesperado sussurrar

É que eu amo, amo tanto,
nem mesmo sei
que farei.. quando acordar



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A Song For You (Simply Red)
http://www.youtube.com/watch?v=5IUbBb362uY
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terça-feira, 23 de dezembro de 2014

ROSA DOS TEMPOS


ROSA DOS TEMPOS
Autor: Nilton Bustamante

Romper tudo de negativo que às vezes apresenta-se escancaradamente feito cachoeira, ou às vezes disfarçadamente de quem tem vontade própria e não percebe a imaturidade, é a busca do ser humano em si mesmo em conhecer-se e aprumar-se para um objetivo maior. Nem sempre fácil, nem sempre deseja-se fazer faxina, nem sempre a tal necessidade se apresenta na tela-consciência do microcosmo de cada um... apenas nuvem escura, tempo ruim que espera-se que uma hora dessas passe e outra manhã se apresente.

Somos igualmente desiguais, somos Arte, somos esboços que se repetem, que procura chegar à tal perfeição sob invisível e divina mão.. Em nós, alguma vez é plenitude, satisfação; outra é decepção, cansaço em pensar, recomeçar. Somos intervalos, hiatos, esperando encaixar dias melhores em nosso calendário do tempo, na busca da felicidade.

Mas, oh, indizível felicidade, oh indizível oportunidade em forma de abertura em naves universais em nós, que nos levam a viagens que estão longe de acabarem. A cada composição em forma de pessoa, mente e coração, é uma visita planetária que aportamos, peregrinação ímpar, incomparável, desejável ou não no primeiro momento, mas necessária, pertinente para quem precisa do outro para se encontrar, e assim seguir, e assim partir, e assim chegar parecendo ser lugar diferente, parecendo ser o mesmo local de partida, mas não, nunca é igual, nunca o mesmo lugar, nunca o mesmo sentir, nunca o mesmo pensar, nunca mais a mesma mente e o mesmo coração, a cada respirar em movimento cósmico, contração e expansão, nunca mais igual como não são as ondas que recuam e avançam em jornadas das incansáveis marés...

Ah, meu irmão, minha irmã, venham nessa dança, nesses movimentos com liberdade, com felicidade sermos ondas que se retraem que se expandem, que fazem os movimentos das marés da vida, e a cada ser que visitarmos aprendermos com tudo e com todos, o quanto a vida nos posiciona, nos ensina com generosidade, que tudo vale a pena, ainda mais quando a consciência avança para a irresistível evolução, para o centro de tudo, rompendo o que for negativo que às vezes apresenta-se escancaradamente feito cachoeira, ou às vezes disfarçadamente de quem tem vontade própria e não percebe a imaturidade; pois as nuvens escuras são produtos que a nossa imaginação transforma em dificuldades, transformamos em algo medonho o que são pingos de luz para seguirmos e, pelo próprio esforço e mérito apreendermos ensinamentos e lições presentes de um Amor Maior.

Saiba, meu irmão, minha irmã, estamos planetários neste instante, estamos sendo puxados, contraídos por uma força imponderável, inconcebível, estamos sendo levados pelas marés cósmicas para o centro do Antes, do Agora, e do Depois, o Centro Divino, fluxo e refluxo cósmicos, para aprendermos a ser contraídos na forma humana e expandirmos deuses feito ondas gigantes, Rosa dos Tempos por toda a Criação concebida pela Divina Inteligência de Deus!



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Pink Floyd
https://www.youtube.com/watch?v=ZAydj4OJnwQ
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domingo, 21 de dezembro de 2014

CULEX PIPIENS


CULEX PIPIENS
Autor: Nilton Bustamante
Culex pipiens, eis o nome científico do “violonista noturno”, o pernilongo!
Agora, falando quase chorando, isso não se faz, senhor Culex, não me deixar em paz dentro do meu próprio lar, e não só isso, dentro do meu sagrado quarto, no berço esplêndido do meu sono. Esse zumbido, esse zigue-zague, esse violino desafinado de quem está aprendendo a tocar e nunca consegue soltar uma nota, uma mísera nota afinada e faz todo mundo a começar a odiar qualquer tipo de melodia, ou música.
Eu juro que tento não lhe dar atenção, imaginar-me estátua distante, no profundo das geleiras, no alto das montanhas petrificadas de frio, onde nenhum violinista exista. Chego a delirar. Mas, é um quadro insólito, quando um ser humano no máximo da alucinação de prolongada tortura, perde o senso, perde a razão, e começa a perambular pelo quarto feito fantasma envolto no lençol, com um calor insuportável, deixando descobertos somente as duas narinas para não sufocar de vez, e um dos olhos para mirar e em cada mão o chinelo e revista para acertar esses músicos de terrível sinfonia e acabar de vez com o sofrimento, com essa exaustão.
Soube outro dia, que esse zumbido, essa esdrúxula sinfonia, vêm da alta frequência do bater de suas asas, mais de mil vezes por segundo, e com tanta capacidade motora, por que querer exibir-se bem diante do meu rosto, nos meus ouvidos? Ah, por favor, um pouco mais de humildade, um pouco mais “simancol” e vá desfilar feito esquadrilha da fumaça pros seus negos, mas perto de mim não, francamente não, e outra vez NÃO!!!
Ah, cabe aqui uma reparação: não é “o” violinista, é “a” violinista, pois quem pica é a fêmea, precisa de sangue antes de reproduzir-se. Ah, Dona Culex, vamos fazer uma trégua, vá fazer suas farras romanas em outras paragens, que tal Roma?, ou se preferir siga os exemplos de seus pares machos que vivem principalmente de néctar ou seivas vegetais... E por falar em Roma, dona Culex, não queira, a exemplo dos centuriões, cada qual vir com seus cem...
Dona Culex, avise as suas amigas “centuriões” que não venham hoje à noite e nem apareçam no meu quarto, pois preciso dormir, preciso de descanso, estou um caco, estou exausto, preciso assistir meus sonhos como outrora, senão terei que colocar uma placa na porta do local que já foi sagrado: Aqui jaz um sono em paz (21/dezembro/2014)!


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sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

MY VALENTINE


MY VALENTINE
Autor: Nilton Bustamante
Porque quando se chega assim
Querendo não ser notada, se escondendo com tanta meiguice
Tanta vergonha no olhar
Com essa voz arranhada
Falando baixinho, quase miando, quase pedindo colo, pedindo pra dançar
Ouvindo música a dois, olhando por dentro até aonde se é possível chegar
Se largar toda, como quando se abraça o mar
Quando abraça estrela que chega madrugada e vai pela manhã
Essas suas mãos mexendo com minha vida
Deixando tudo tão doce, tão delicado, macio
E meu corpo pedindo
Deixando livres os seus segredos
Que não posso dizer pra ninguém
Não é fácil aguentar, não é fácil continuar a respirar
Um sonho mais...
Porque quando se chega assim
Abraçando em volta do pescoço
Dando rumo, dando prumo, porto seguro
Ensaiando o beijo que vem querendo sentir
O gosto de encostar cílios e gemidos, sendo último suspirar
De vida, sorrindo como quem sorri achando graça de tudo
Apenas um beijo,
Encostar de mundos que se entregam
Que se lançam
Num canto imaginário, incendiário, fazer nas noites algum tipo de fogueira
Que nos torna jovens que acreditam simplesmente
Sem mais nada do que saber,
Sem mais o que perguntar...
Esses dias noites
Andar abraçados
A cada momento, dia dos namorados
Toda vez se desmanchando de amor
Chamar pelos nomes que inventamos, que desejamos
Que fossem flores
Que fossem todas de um amor diferente, desses que a gente não encontra mais...
Sentar no meio da sala, brilharmos luzes feito velas prateadas que escorrem
Desejos e lágrimas que queimam quando tocam
Corações apaixonados
A mesma emoção,
Assim feito alguém que não tem pressa em esperar a felicidade chegar...
Olhar no profundo dos olhos
Fazer cerimônia para receber o que vem do lado mais sentido
Da alma, viajante de todas as Eras,
Para florir no sol do Amor
My Valentine,
Dê-me sua mão, vamos caminhar...
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Alice Fredenham singing 'My Funny Valentine'
https://www.youtube.com/watch?v=IChJ6eO3k48
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ONDAS DE AMOR

ONDAS DE AMOR
Nilton Bustamante

Sim, já fomos chuvas, ventanias,
Fomos medo
O medo de deixar de existir pra ser outro alguém
Mas, não se preocupe meu amor

Estamos aprendendo
Sermos noites, sermos dias
− O que desejam os jovens −

Somos o que os invernos unem
E cedem
Em rodamoinhos indo ao fundo de nós dois
Cada vez mais lentos
Cada vez mais sedentos apreciando alegres e tristes
A paisagem que vem em nossos filmes ou que fica pra depois

Somos ponteiros do tempo
Que se encontram
Nos lugares marcados pelo mundo

− Em cada ponto, em cada recado
A vida faz teatro, novela de amor −

Que se pede, que se cobra,
Ri, chora,
Que se deita no ombro do ser amado, adormece, vira sonho

Se entrega nas mãos dadas
De desconhecido destino que se vai longe, longe
Que se vai nave sem rumo sem querer chegar
Apenas imensidão... apenas algum lugar

− Hoje temos que nos ver −

Saber um pouco mais desse silêncio
Que carregamos e insistimos em não dizer

− Hoje vamos nos amar −

Mexer nas sobrancelhas que protegem
Em arcos as frágeis janelas
E saber dos brilhos que vêm de longe, longe
Do fundo, fundo... da alma

Que insiste em navegar feito chuva
Subindo nas alturas e despencando em ondas de amor


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Simply Red - A Song For You
https://www.youtube.com/watch?v=5IUbBb362uY


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eternidade



eternidade
autor: nilton bustamante

pois nessas horas, dessa forma, desse jeito
tudo é mesmo abraço,
tudo vem com a alegria de viver,
vem, imensamente, a vontade de amar a vida
querer ficar juntos nessa caminhada
olhando de lado, sorrindo por toda alma,
pelos cantos dos olhares
o brilho de quem está em transe de felicidade
ouvir o coração que brinca em saltos de amor


ser azul, ser infinito
subir a torre feito rei, feito king kong
pegar aviões com as mãos
só pra ficar perto de quem se ama nas alturas
ir além, muito além de quem sempre procurou
a eternidade
para ser o momento
ser o mergulho
sem medo, sem receio, sem tempo a perder


pois não é sempre que se tem outra vez
a eternidade para amar
respirar esses ares gelados
abraçando o quente dos pulmões







.Mon Ame Bohémienne
https://www.youtube.com/watch?v=a2-zwe6bFbk
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terça-feira, 2 de dezembro de 2014

O UNIVERSO, ESCOLA INFINDÁVEL




O UNIVERSO, ESCOLA INFINDÁVEL
por Nilton Bustamante (em desdobramento da alma)

O domingo já havia passado e o sono veio-me rápido, sem o perceber.

Fui convocado pela Espiritualidade para fazer parte de uma ação socorrista, percebi que havia outros que eram almas de encarnados nessa reunião.

Em fração menor que a de um segundo, plasmaram quem deveríamos socorrer. Mostraram-nos a queda vertiginosa de um paraquedista em lugar ignorado e muito distante, era outra parte do planeta de onde nos encontrávamos.

Partimos em velocidade espantosa. Percebi que haviam pelo menos três almas de encarnados, tal como a minha, tentando chegar. Representou-me um derby de corrida de cavalos cabeça-à-cabeça (e em mim a vontade egoísta e vaidosa de querer chegar primeiro, coisa que me incomodou em seguida. Fiquei com vergonha de mim mesmo).

Tivemos dificuldade em localizar o acidentado, tarefa que foi-nos resolvida pela ação de um Irmão Celestial, com a nítida postura de comando, e de elevada moral.

Encontramos vários fios. Começamos a manuseá-los. Pareciam ser os fios do paraquedas − mas não tenho convicção disso −. Mas e o corpo onde estaria? Ficamos com a incômoda interrogação. Até que encontramos o que seria apenas os sinais delineados de um corpo no afundamento do solo. Só que não havia corpo algum.

Resolvi fazer uma verificação mais atenta naqueles contornos, quando reparei uma estrutura molecular de “outra dimensão” desconhecida por mim (se é que eu poderia chamar dessa forma).

Havia somente o que deveria ser um pedaço, um seccionamento de coluna humana que liga-se à cabeça, interrompida na altura do meio dorso. Uma voz imperativa fez soar dentro de mim que eu deveria recolher o que havia encontrado, imediatamente. Mas o surpreendente foi que ao tentar fazer isso, toda aquela “estrutura”, aquela massa, coube na primeira pate do meu dedo indicador. Um Irmão da Espiritualidade levou o que seria do acidentado. Saiu a uma velocidade imponderável, indizível, à direita, em ângulo aproximado de 50º graus.

Não sei como, eu já estava em outro lugar, e um Irmão Orientador, veio com a postura de um professor para complementar a aula e disse-me mentalmente:

“Aquilo que foi encontrado era fragmento danificado da massa do períspirito do irmão acidentado, não poderia ficar naquela circunstância de jeito algum. E a dificuldade que você teve em localizar o lugar certo do acidente é que você ainda precisa aprender essa fórmula – nisso ele plasmou em uma lousa imaginária duas expressões matemáticas (algébricas) –, essas expressões são as mesmas usadas no GPS, no entanto muito mais elaboradas, mais evoluídas...”  – completou o solícito Irmão.

Não sei se o fato de eu ter que ter aulas de Matemática, ou por já ter terminado o convite para minha presença naquela experiência além-corpo em companhia de benévolos Irmãos, despertei no mesmo momento.


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