CRIANÇA
autor: Nilton Bustamante
Criança agita olha o que ninguém sabe mais!
A poeira hereditária vai cobrindo tudo
Espalhando morte, mais uma bomba solta cai
E ninguém quer saber
Criança agita olha o que ninguém sabe mais!
Grita olhando o vazio e a fome gentil
Que doa pro mundo a vontade de tudo, tudo,
Nos canais das ilusões do poder
Estende a mão, chama outra criança e vá entrar na roda!
Que infância não tem idade pra brincar
Mas, saiba que nas margens
Os marginalizados respiram mortos no morto dos rios
Fétidos, perdidos, o dito pelo não dito
No palco o dorso nu, magreza que fica no escuro,
Gemendo gemidos rangidos
Das bocas sem gosto algum
Quem prepara o prato vazio não experimenta, não quer saber
Os donos da noite não mostram suas caras
Não querem mesmo se aborrecer
Nos dão espelhos e controle remoto nas mãos
E a sensação de se poder mudar tudo
Até escolher o deus na Tevê
Criança, não, não nos deixa esquecer aquele
Verão rosa atômica, chacina cogumelo
Porque logo vão querer negar e dizer pro mundo
Que não aconteceu...
Oh, criança atônita que aos pedaços se solta atômica
Em cada prato vazio, sem comida,
Sem escola, sem presente,
Não nos faça esquecer que uma única lágrima
Não vale o preço de guerra alguma...
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Japão, verão, agosto, 1945
ROSA DE HIROSHIMA
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