quarta-feira, 30 de janeiro de 2013



PRA VOCÊ  
 autor: Nilton Bustamante

É um pouco de saudades, é um pouco das imagens guardadas dos abraços no portão pelas noites pelas manhãs, um pouco do seu olhar que vem me visitar, é um pouco e um pouco mais desse meu coração que insiste em se emocionar, bater descontrolado quando lhe vê chegar...

É um pouco de tudo, de tudo um pouco, das imagens que falam nas sombras dos girassóis de nosso quintal, um pouco de nós quando insistimos em encostar nossos lábios, fechar os olhos, pra se viver de amor cada vez mais, cada vez mais e mais... desigual.

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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

MOZART


MOZART
 Autor: Nilton Bustamante

O caixão na parte de trás da carroça, com jeito de algum valor, corta o lamaçal. Atrás ninguém mais, além de uma ou duas pessoas. Seguem o trajeto fúnebre. Surge um cão de andar solene coloca suas patas nas águas que transformaram a terra em molde disforme e desfila... O barulho é agudo, cortante, das rodas, dos eixos, dos pesos dos sofrimentos, ou da indiferença, o que fazer, o que fazer?

Os ecos das risadas, as bebidas desregradas, o esmero das roupas de gala, os salões e seus segredos à luz das velas, são apenas opiniões que não valem mais. O prodígio, o encantamento das plateias, agora não valem mais. Tudo passa, tudo passa. E a música, e a música? Ah, Mozart, porque ainda brinca com a morte se escondendo da vida?

Abre-se a vala, nada de novo, somente mais um vazio. O esforço, o caixão quase que largado, quase que jogado, mais um corpo, mais alguém sem opinião.

Chora os anjos, mais ninguém.

Mozart, menino crescido, gênio perdido, aprende agora, que tudo é efêmero. Faça sua prece, quem sabe abrace alguma luz, rege agora o seu réquiem...

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Mozart – lacrimosa

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

BRUMAS
Autor: Nilton Bustamante

Essas brumas que fazem tudo sumir, algo da magia que se quer acreditar.
Esses caminhos que somem depois de cada passo, algo da magia que se quer esquecer.
Pedaços dos pergaminhos que li e me transformei antes dos tempos, antes da poesia chegar e anoitecer...


Tudo parecia tão mais fácil, podia-se pegar estrelas com as mãos, o céu descia, descia até tocar o que ainda era sonho, era coração... 


Essas brumas que fazem tudo sumir, me fez ir atrás de você...



 
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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

HOJE O SOL ME TOCOU


HOJE O SOL ME TOCOU
  Autor: Nilton Bustamante

Meu amor,
Mesmo que tudo seja distância
Me abrace bem devagar
Olhos fechados
Antes que tudo vire saudade
Vire lembrança


Pega minhas mãos
Antes que o tempo vire fumaça
Mais uma vez, mais uma vez

Eu morra pra renascer
Quando o sol me tocar
E lembrar você...


Hoje lembrei de tudo que deixamos
Pra ser depois
Porque não tivemos coragem de ser nós dois
Mais uma vez, mais uma vez...

Hoje o sol me tocou
Do jeito que você ardia em mim

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013


   Autor: Nilton Bustamante

O tempo é só uma música,
Que cantamos com a voz de dentro
Pra ninguém ouvir

Essa saudade que é só pensamento,
Que enviamos sem saber
Um para o outro

A vontade de fazer valer
Cada flor, cada estrela,
Olhos fechados pelos beijos
De amor...

Ônibus que passam
Pelas mesmas ruas,
Pessoas apressadas pelas calçadas
Olhando pra baixo sem olhar o céu,
Sem dizer olá, sem fazer um sinal,
Arrastando o peso de quem deixou de acreditar
Que amanhã será diferente,
Um sol virá brilhar
Ao coração que se abriu pra nova manhã...
 
E eu espero você,
E eu canto você
Em cada pensamento, em cada beijo soprado
Pra alcançar o que ficou pra depois:
Nossa história de amor, nossa história de amor...
 
 

 

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

PELOS CANTOS DOS CÉUS
  Autor: Nilton Bustamante

Uma voz ecoa pelos cantos dos céus!

Uma voz se solta das alturas e rompe todas as barreiras, todos os impedimentos, todos os tempos grudados nos espaços que ficam para trás... Uma voz, única voz, entra fundo, em cheio no íntimo de cada um de nós que segue seus dias, suas noites em sentidas marchas, obedecendo as próprias ordens, por vezes jogando as bússolas e reservas fora, sem saber o que vai dar.

Grita o silêncio que é preciso chegar primeiro, ser antes, tocar original antes que a ameaça faça o estrago que chega lenta, ameaçadora provocação; uma voz arranca algo de dentro de cada um, que é preciso, necessário, prioritário contatar com todos os cuidados e gentilezas, colocando entre fronteiras dos encontros as gentilezas pra deixar o tudo mais seguro, preparado, antes que venham o que deixou de ser puro, o que contagia e pode sem piedade ainda cegar.

Uma voz que entoa o silêncio, em outros decibéis, que chama, conclama, que é preciso o delicado toque, primeira fronteira, avançando o profundo da alma, para que os caminhos dos olhos sejam livres, sem barricadas, sem armadilhas, sem nada que impeça, somente a contínua luz do íntimo sol do amor...

Uma voz ecoa pelos cantos dos nossos céus, nos chamam, nos convocam para o encontro, encontro da universal aventura, formando mundos novos a cada pulsar de coração, a cada possibilidade de transitar o lado incólume da alma de cada um de nós, que ouve a mesma voz, o mesmo chamado para os olhos livres se aproximarem na mesma direção...

 

 

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