sexta-feira, 20 de novembro de 2015

NOVAS DANÇAS


NOVAS DANÇAS Autor: Nilton Bustamante Do meu corpo claro, torpor ser cais do mundo Do meu peito claro em noite escura É que trago tudo que ficou pelo avesso Do meu corpo torpor do mundo Do meu peito escuro, noite clara, dias de chuva É que trago tudo que são rotas novas, pó em traços riscados ao vento Eu que servia a cautela Desci sorrindo o frio que vai por dentro enquanto a vontade voa, voa Pra perto longe Alcança as mãos e o lado preso Surpreso em praias calmas Dançando com cartas e teoremas Do meu ser de chuva Abrir janelas e vidraças Sentir os dilemas Do meu corpo estrada, pó vagando o mundo Descalço em novos berços Nasce e cresce Pelo avesso, serrano em mata fria com todos os enganos Sorrir pro anjo dançando em suores, descendo cego pelo mundo Salgando tudo Em sonhos doces Pra acordar novas danças De braços e pernas pelo avesso, teoremas... poemas . . .

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

“AIS”


“AIS”
Autor: Nilton Bustamante 

Essas suas frases sempre se iniciando com “ai”,
− sei, eu não deveria dizer, não deveria, mas isso já é provocação, desaforo, é arrepio a quente e a frio –
me faz ouvir outras formas, outros sons,
como quem diz “ai” com rosa vermelha entre os dentes, 
geme ardente a dor e pede mais...

Essas suas frases sempre se iniciando com “ai”,
− sei, eu não deveria dizer, não deveria, mas isso já é alucinação, perdição, vinho na taça com sede se insinuando na boca que bebe, 
morde o suave que entumece e o que se aprofunda em rio –
me faz pensar outras formas, outros rasgos,
como quem pulsa e se esvai em “ais”, o tempo todo, seguidos “ais” 
desses que não saem dos ouvidos,
da cabeça, da seca garganta que engole o que quer esconder...

Talvez seja mesmo o vinho – sim, vamos culpar o vinho, fica mais fácil –
fechar os olhos, passar os dedos por onde a imaginação,
deitar-me no sofá e pelos lados, pelos entornos, 
recolhendo todos os seus “ais” e deixando um a um
feito gotas de gelo caírem sobre o quente e frio do meu corpo nu.

"Ai!"

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Asturias 
https://www.youtube.com/watch?v=Nx7vOb7GNBg  

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quarta-feira, 4 de novembro de 2015

TRAVESSIA


TRAVESSIA

Autor: Nilton Bustamante

Papéis amarelados guardados por onde não pudessem se esconder, 
Nem deixar que o tempo esquecesse
Maserada Sul Piave
Por semanas que se repetiam
Desde a ida, desde a vinda
Por longas noites, sofridos dias
Misturados de famintos desejos
Para acalmar a vida
Em cama de palha seca
E mãos ansiosas
Pelos contornos das luzes da esperança
Que se busca, que se busca, e quem sabe... se alcança sem esperar

Os ares pelas narinas mais secas ainda
Atravessando mares que não terminam, que não se entregam nunca
Cavalgando ondas e mais ondas
Perdendo-se no horizonte dos olhos
Molhados pela saudade
De outros olhos, outros olhares que nunca mais serão pertos...

Os pesares nos ombros cansados
Deixando para trás tudo tudo tudo que não se quis
Mais sofrer
Quase voando um novo voo, quase cantando nova canção
Das promessas que os ouvidos ouviram docilmente
Fazendo o coração pular nova fantasia
O que se podia, o que se permitia acreditar

Treviso, longo e sentido adeus
Para nunca mais, nunca mais

...
(Em homenagem ao meu avô Guerino Marro Buso, nascido em 30 de janeiro de 1888, Maserada Sul Piave, Treviso, Itália, e que ajudou a formar cafezais na região de Catanduva, São Paulo, Brasil.)





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Zizi Possi
https://www.youtube.com/watch?v=RzEB2vMo7dA&list=PLeaw7-hDN_20CEz6SIIVOCL1r2bqODl40&index=2 



https://www.youtube.com/watch?v=j66lvMjRpyY&list=PLeaw7-hDN_20CEz6SIIVOCL1r2bqODl40&index=3
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FILMES DE AMOR


FILMES DE AMOR
Autor: Nilton Bustamante

Na eternidade do agora, estou longe longe
Estou IF, o que ficou nos discos, prateleiras
Das noites que se transformaram em filmes de amor
 
Encosto em seu rosto, em sua face,
Fecho os olhos doce doce
Porque preciso viver

Quem sabe, imaginar estrela solitária sobre a sacada
Das horas mais lindas, delicadas,
Enquanto desde muito a poesia chovia
E já me deixava essa mesma falta de ar

Hoje sou ontem pensando
Na eternidade do amanhã
Hoje sou qualquer guitarra tocando doce
Feito jovem que se lança pro mergulho sem querer saber
O que virá depois

Hoje estou assim, eternidade,
De um jeito que acredita no possível do impossível
Que não vive mais sem você...

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Bread - If

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George Harrison - While my guitar gently weeps



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