sexta-feira, 29 de julho de 2011

NÃO PRECISA PARAR O MUNDO PRA DESCER



NÃO PRECISA PARAR O MUNDO PRA DESCER
             Nilton Bustamante

Ei, você, você mesmo!

Que tal desacelerar? Não se preocupe, o mundo continuará em correrias desenfreadas.
Sem precisar ser monge budista, respire pausada e profundamente, aproveite para ventilar esse seu mundo interior às vezes sufocado, quarto apertado sem janelas. Transporte-se em verdes campos, ouça ao longe o riacho companheiro de viagem, perceba os pássaros, borboletas coloridas brincando no azul e outros seres no cenário da Natureza do seu campo mental. Vê? Não está só.

Eu sei, os compromissos que os relógios trazem estão pipocando por todo lado. Mas, agora não importa. Nada importa. Somente você importa. Somente você precisa de sua atenção. Agora é um momento de construção, reforma sutil, apaziguamento. Todas as guerras, batalhas que não tinham fim, somente perdedores, não valerá mais a pena, nenhuma guerra vale a pena. A Paz é sempre bem-vinda, necessária, extremamente necessária, vital. Todas as dores, todas as doenças, toda a mágoa não valem mais a pena. Sinta-se sem essa necessidade da autopunição. Continue na mesma toada, bem devagar, lembra-se da canção? “Ando devagar porque já tive pressa. Levo esse sorriso porque já chorei demais; hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe... ", então?! Continue pausada e continuamente, em ritmo que lhe dá prazer, felicidade... Preparada? Preparado? Agora chegou um momento também muito importante. Não se preocupe com nada, você é capaz, todo filho de Deus é capaz de criar, cada vez melhor, dando melhor significado a própria existência! Foque em sua mente uma ponte. Mas não essas de concreto e aço, pesadas. Não! Essa agora é uma ponte mais que especial, é a “sua ponte”, a “melhor ponte do mundo”, é a que lhe serve, que lhe é útil. Mesmo parecendo um paradoxo, ela deve ser segura na leveza, dê seu toque pessoal na beleza das linhas arquitetônicas que lhe fazem bem aos olhos da alma. Coloque as cores que desejar. Escreva no chão todos os nomes das pessoas mais queridas por você, que estão em seu coração, que estão em seu caminho. Agora essa ponte, assim como todas as pontes, precisa ser ligação. Então, já que uma das extremidades está ligada em sua mente, fonte de criação do tudo possível, vai erguendo, erguendo, com cuidado, elevando, elevando a outra extremidade da ponte – lembre-se: é tudo muito leve, muito tranqüilo, calmo, sutil, sem peso algum – tente aos poucos, sem pressa, confiante ligue nas esferas mais benditas dos céus desse ideal que você está construindo agora, nas alturas cristalinas onde tudo é Amor, Paz, Prosperidade, Saúde e Felicidade. Se desejar peça ajuda aos Auxiliares Construtores da Felicidade Eterna. Eles são solícitos, de boa-vontade, dispostos à boa obra. São trabalhadores para um mundo melhor que Deus sempre confia aos homens. Como já foi dito, a finalidade das pontes é fazer ligação, permitir o fluxo, o fluir, unir. Então, olha só que felicidade: sua mente, seu coração, sua alma estão ligados agora em uma esfera melhor preparada pela paz, pelo amor. E você, construtor, construtora, de sua própria obra, tem o mérito de usufruir dessa ligação, dessa união, desse fluir entre o Macro e o Micro dessa sua maravilhosa construção.

Nunca é demais lembrar: O que vai habitar em você é tudo aquilo em que seu íntimo está ligado. O Paraíso não é um lugar, é um estado de espírito.

Ah, estava me esquecendo, é verdade, o mundo dos homens, os compromissos, os ponteiros dos relógios nos apontando, isso vai continuar, mas você agora está em outra sintonia.
Deus lhe abençoe!
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quinta-feira, 28 de julho de 2011

COMETER CRIMES, PEDIDO DE SOCORRO

                                   "Zoinho, menino de rua, enfrenta os policiais!"


COMETER CRIMES, PEDIDO DE SOCORRO
autor: Nilton Bustamante

Lendo Paul Ferrini, leva-se a concluir que o ser que é humano ao cometer um crime, é pedido inconsciente de socorro.

Ao tornar-se criminoso, em ato de guerra ao mundo, fazendo uso de todas as formas de agressão, remonta de seu interior o mal que julga ser vítima, traz à tona, traz ao mundo exterior a reprodução – a seu modo – de todo o seu sofrimento para que a sua figura de “vítima” enfim esteja diante dos olhos do mundo.

Quando a Justiça dos homens lhe condena os crimes, ele, o criminoso, intimamente, acredita (sem o saber claramente) que está-se condenando aquele mal, aquele seu sofrimento que é igual, estão lhe fazendo justiça também ao que lhe pesa os recônditos da alma que ninguém via, ninguém sabia, ou não queria saber.

A dor lançada é a dor antes recebida.

Por associação, alegra-se ao imaginar que há o “reconhecimento” da sociedade de que ele realmente é vítima, é sofredor. No fundo, no íntimo, o ser que se é humano ao cometer um crime, deseja que o mundo peça-lhe perdão. Quem faz o mal, já se coloca em condição de que sempre o “outro” se redima; chama para si atenção, consideração, carinho, por sorte, amor. Mas, quantos não se satisfazem nesse vício, no sadismo de querer que o “outro” também sinta, saiba, o mesmo, a mesma dor, o mesmo amargor, o mesmo sofrer?

É bom lembrar que “criminoso” somos nós, os homens, de forma mais ampla, que no dia-a-dia falseiam, mentem, agridem, traem, viciam e viciam-se, semeiam intrigas, rancores, matam, ferem, roubam os bens e sonhos...

Sem procurarmos os “culpados”, sem querer saber se o criminoso é o resultado de si mesmo, o seu próprio carrasco, algoz de autoflagelação, ou se é apenas vítimas que penam nas mãos dos intolerantes de almas rudes que instigam os piores sentimentos, ou são somente pessoas com índoles más em ação, ou ainda de tudo um pouco... O que vale é compreender que o ser que é humano, também é deus, e que em seu destino, leva-se o tempo que levar, poderá – e deverá– Amar divinamente.

E Paul Ferrini nos leva a mais: “Você é juiz. Você é o júri. Você é o réu.” (Eis, a consciência.).

“Você vê aquilo que escolhe ver, pois toda percepção é uma escolha. E quando você parar de impor seus significados àquilo que se vê, sua visão espiritual se abrirá livre de julgamentos.”

“As fofocas, os ataques verbais mostram os próprios sentimentos de vergonha e de rejeição emocional.”

“Projetamos nossas culpas nos outros, por isso odiamos.”

Feliz daquele que não precisa perdoar, nada lhe provoca, nem lhe agride, pois compreende a tudo e a todos e a si mesmo.

A cada ato a responsabilidade e suas consequências.

A Lei de Causa e Efeito é princípio imutável universal. É uma forma educadora. Mas, lembramos que todo e qualquer sistema que somente pune, não reeduca. “Somente aquele que está sofrendo agride os outros (mesmo de maneira sutil).” Já que habitamos num Educandário a céu aberto, um hospital planetário com mentes viciadas e organismos doentios, é o dever de todo aquele que busca oferecer o melhor de si, ainda que timidamente, substanciar o equilíbrio, a harmonia, a cura de si e a cura das doenças sociais e espirituais que afligem a Humanidade, conceder sem restrição ao mundo (ao micro e ao macro) o mais puro e melhor sorriso que se possa sorrir, o melhor gesto de cordialidade que se possa conceber, a melhor vibração mental de paz, gentileza, tolerância e amor em prece sincera de esperança e apaziguamento, ainda que em doses homeopáticas, ajudará, assim, que nasça o brilho de um novo amanhecer nos corações que antes eram somente noites traiçoeiras de vinganças, de desesperos e tempestades de incertezas de sentimentos próximos aos instintos.

O estrago do homem é mais, é maior, que a do menino, mas educa-se a criança malcriada, mal conduzida, mal servida de amor e estimula-se ao bom caminho nas escolas da vida com ênfase nas qualidades morais. Ofereça-se a preparação educacional e melhores condições ao exercício do trabalho que dignifica e revigora, surgirá assim o adulto repleto, completo, para servir com amor, religiosidade, espiritualidade, interligadas a tudo que pulsa vida, sem mais precisar chamar atenção para si, já vencido o próprio egotismo.

Lembremos o que nos ensina o grande poeta português, Guerra Junqueiro: “Educai a criança”...

EDUCAI A CRIANÇA
(Guerra Junqueiro)

Um coração de criança
É uma urna de amor, de inocência e esperança.
É um jasmim em botão de imácula pureza
Perfumando o jardim do Amor e da Beleza.
É uma flor aromal.Uma Ave pequenina,
Que nos recorda a luz puríssima, inicial
Da morada divina!

Mas a alma infantil, como leiva de terra.
Guarda, cria e produz aquilo que ela encerra!
Coração original, terra pura e inocente
Que desenvolve em si a boa e má semente.
Se lhe deres o Amor que salva e regenera,
A esperança no Céu que se resigna e espera,
Os exemplos do Bem que esclarece e ilumina,
Os archotes da Fé que sonha e raciocina.


A lição do Evangelho em atos de bondade,
Os perfumes liriais da flor da Caridade.
A verdade, a Luz e o Amor - a trilogia
Que compõe no Universo os hinos da Harmonia
Vê-la-eis produzir dessas espigas d'ouro
De um dos trigais de abril imensamente louro.

Se lhe derdes, porém, as sementes do vício
Tereis o pantanal, a chaga, o meretrício,
A ferida social que sangra, que supura,
Os venenos letais da Dor e da Amargura!

Em vez do sol que aclara uma vida sublime,
Vereis a lava hostil que favorece o crime.

Educai, educai o coração da infância,
Roubai-o da torpeza do mal e da ignorância.
Plantai no coração dos pobres pequeninos
As árvores do Bem cheias de dons divinos...

Elevai-os na Terra aos píncaros da Luz,
Com os exemplos de Amor da vida de Jesus!

O coração da criança
É um sacrário de amor, de inocência e esperança.

Ponde nesse sacrário a hóstia que transude
A chama da Verdade e a chama da Virtude
E tereis praticado o ensino do Senhor
Que fará deste mundo um roseiral de Amor!

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Guerra Junqueiro


(Poema psicografado pelo médium Chico Xavier em 14 de julho de 1933, em Pedro Leopoldo. Dedicado a Júlio Leitão.)



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                       Guerra Junqueiro                                                           

segunda-feira, 25 de julho de 2011

QUEM ESPERA


QUEM ESPERA
Nilton Bustamante

Que eu não fique tão só
Nesse silêncio tão longo
Tão perturbador
 
Que ao menos seja chuva
Enxurrada e leve tudo
Tudo que se quer
 
Seja calor pra me gotejar
Por toda a pele, pra eu lhe contar
Que o amor é instante, é momento
 
Se você não puder me ver
Nem atender o telefone
Então venha ao menos em meus sonhos

Que a espera é tormento, dói, dói demais

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sexta-feira, 15 de julho de 2011

SOL E SOMBRA



SOL E SOMBRA
  Nilton Bustamante

Oh, homem!

Oh, adormecido homem!

Abra teus olhos para o que vai ao teu redor!

Abra teu coração para o que vai em teu íntimo!

Abra tua mente para o que vai no além do além de ti mesmo!

Aprenda, oh, homem, pouco a pouco, mas aprenda com o Universo que te cerca! Tudo é demonstração do Divino, Ensinamentos Benditos! O que É, no sacro conceito, pulsa Amor!

Acorda, oh homem, no tempo dentro do próprio tempo, expanda sem receios a consciência humana que há em ti, livra-te de idéias conservadoras do materialismo, seja livre!
As lições estão escancaradas, tudo está à mostra, basta te aquietar, sair das esteiras rolantes do dia-a-dia, sair das coreografias mecânicas do comum, e observar!...

Veja, veja, veja, a beleza da postura do sol que em seu esplendor, em sua máxima atuação quando ao meio-dia não diminui a quem quer que seja!

Veja, veja, veja, a grandeza do sol que humildemente deixa a sombra debaixo dos teus pés, oh homem, para não te inibir!

Oh, homem, sê menor que tua sombra, sê reto em tuas condutas!

Oh, homem, mesmo que ainda não sejas todo Luz, lembra-te do sol, que em sua grandeza máxima não diminui a quem quer que seja, não faz sombra a ninguém!


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More Brendel:   Schubert Op. 90/3

terça-feira, 12 de julho de 2011

BALANÇA DAS ILUSÕES


BALANÇA DAS ILUSÕES
       Nilton Bustamante

Quando se quer tirar as dúvidas ao levar-se a um dos pratos da balança “febre” e “ilusão” para contrapor-se em comparação com algo vivo e por isso complexo em virtudes e desafios, no ato da pesagem, conforme o que se leva para o parâmetro é até uma ofensa que se comete contra outrem e contra si mesmo, ainda que não se perceba nesse primeiro momento.

Quando em dúvida com seu casamento, com sua relação, e ao colocar uma ilusão, uma febre, um mundo ideal para se pesar é, pra se dizer pouco, equívoco, contradição. Ao longo do tempo, ao longo dos dias, nada pode superar o que se construiu, o que por amor se uniu. Relacionamento é construção, sentir-se vivo, é contentamento, dá trabalho e trabalho é desafio

Febre e ilusão não se pesam, não se sustentam.
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segunda-feira, 11 de julho de 2011

BRISAS QUE SOPRAM


BRISAS QUE SOPRAM
   Nilton Bustamante

 
O avião está no ar, está no ar o avião. A bussola marca previamente o destino, onde se quer chegar.
Todos os cuidados vistos e revistos, tudo o que for preciso para a boa condução da aeronave, do vôo chegar bem no lugar.
E o vôo segue conforme os planos, nada que perturbe, nada que chame a atenção. Tudo segue igual a tantos outros vôos.
Pequenas brisas...

 
A vida está no ar, está no ar a vida. A decisão marca previamente o destino, onde se quer chegar.
Todos os cuidados vistos e revistos, tudo o que for preciso para a boa condução da relação, da vida chegar bem no lugar. E a vida segue conforme os planos, nada que perturbe, nada que chame a atenção. Tudo segue igual a tantas outras vidas.
Pequenas brisas...

 
Pequenas brisas sopram em direção da lateral do avião. Para quem olha, a bussola continua na mesma marcação. Nada mudou, onde se quer chegar. Mas o imperceptível também atua. Não é somente tempestade que deve receber atenção, preocupação, mas as pequenas brisas, as pequenas mudanças, também. Ao longo da viagem, pouco a pouco, pequenas brisas surgem e arrastam pra lateral o avião, pouca coisa, nada que cause pânico, nada que cause maiores turbulências, nada que chame a atenção e a rota vai sendo outra, vai abrindo distância, a distância entre paralelas rotas (uma é a rota que se traçou nos planos de vôo, outra é a rota real sujeita a muitas ações, até as mais sutis), vai aumentando, aumentando, aumentando, pouco a pouco, ainda que na bussola continue marcando a mesma direção... E quanto mais se demora para se aperceber e tomar a atitude das correções mais o desastre se vislumbra, se agiganta, com a possibilidade do combustível não ser suficiente e precisará ter a sorte de haver outra pista, outro campo, qualquer lugar que se dê pra receber a aeronave desorientada. É uma experiência sempre tensa e com possibilidade de não acabar bem. Faltou experiência, preocupação, atenção de quem pilotava, de quem destinava o vôo para o lugar desejado. Não corrigiu o que era para se corrigir, não acertou o prumo, por negligência ou comodidade só se fixou na bussola que marca a direção, mas só direção não é suficiente. O vento, pequena brisa que for, se não der a atenção devida pode colocar tudo a perder, empurrar pro lado o destino que se desejou.

 
A vida segue viagem e sempre vem as pequenas brisas, os pequenos empurrões que podem deslocar a rota, mesmo para quem olha e vê que tudo está na mesma direção. Mas, estar na mesma direção não é suficiente. É preciso muito mais, mais atenção, mais cuidados, mais gentilezas e certezas no trato com o vôo que se está levando, se não se desviou mínima coisa que for, pois ao longo do tempo, ao longo da viagem pode se ir muito, muito, muito longe do que se quis, do que se traçou, do que se desejou, e poderá não haver ânimo, coragem, nem competência e forças para colocar a própria vida e a vida de quem confiou ao mesmo vôo a salvo.

Não é somente tempestade que deve receber atenção, preocupação, mas as pequenas brisas, as pequenas mudanças, também.

O vento, pequena brisa que for, se não der a atenção devida pode colocar tudo a perder, empurrar pro lado o destino que se desejou.

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More Brendel:  Schubert Op. 90/3
http://www.youtube.com/watch?v=GkX4MyDeIqI&

sexta-feira, 8 de julho de 2011

COMPLEXO DE ÉDIPO OR NOT TO COMPLEXO DE ÉDIPO



COMPLEXO DE ÉDIPO OR NOT TO COMPLEXO DE ÉDIPO
       Nilton Bustamante

Sexualidade infantilizada que por ventura possa habitar o homem,  impede o seu amadurecimento. Ele – o homem -, nesse estágio, prefere ficar no campo confortável dos seus quadros mentais que lhe serviam – e ainda lhe servem – de abrigo, de colo maternal, um mundo amniótico particular protegidos dos choques. Crescer é algo que intimamente lhe aterroriza e só em pensar é por demais sofrimento e temerário ter que lidar com os “nãos”, com as “perdas”... A necessidade do mimo é crescente, e seu gozo é o próprio dedo, a chupeta.

Lidar com uma relação adulta, madura, sem cabanas de cobertas, sem escapes lúdicos em castelos e fantasias, olhos nos olhos, sem cortinas que encobrem os artistas nas coxias, é fazer suar a testa e a alma, é tremer em insegurança patente ao descrente homem que ainda não saiu do colo da mãe, que ainda pune o próprio objeto de desejo, sem coragem de colocar-se em situação de desafios reais...

Sexualidade infantilizada é escudar-se, seguir eternamente meninão que não cresce, nem mesmo com seus 30, 40, 50... anos.

Quantos casos vemos por aí, de pessoas que começam a se relacionar, e mesmo sem razão alguma, do nada, desfazem os laços de carinho e amor com o medo de, no futuro, sofrer se a relação acabar, ou receber o “cartão vermelho”. Viver assim é um transtorno constante, a angústia por companhia.

Nunca é demais nos lembrar desse soneto, do poetinha, que nos indica algo sobre a humana maneira de amar...

Soneto de Fidelidade
   (
Vinicius de Moraes)

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


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HOSANNA, OH, JESUS, HOSANNA!


HOSANNA, OH, JESUS, HOSANNA!
autor: Nilton Bustamante

Pés descalços, sem coisa alguma sobre a cabeça, suave túnica, semblante dos inocentes... Oh, Jesus, Hosanna!

A simplicidade tomou forma na forma de homem; os pássaros, os animais, os ventos rendem homenagem... Oh, Bem-Vindo, oh, Jesus, Bem-Vindo!

Suas preces atravessam estrelas, galáxias, corações, tocam a Deus e servem aos homens novas esperanças, novas falas, novos tempos da Boa Nova, libertação às consciências presas em milenares estagnações de sofrimentos.

Oh, Jesus, livro-vivo! Em suas páginas de atitudes à mulher, o respeito; ao aleijado, ao cego, ao enlouquecido obsediado, a oração... Oh, Hosanna, oh, Jesus, Hosanna!

Ressuscita os mortos, cura os enfermos, com alegria e boa-vontade atende a todos, fala com os doutores da Lei, recebe as crianças, expulsa os mercadores no Templo, veio nas mesmas limitações e condições de homem terrestre, fala a língua que não é dos homens, traz Luz, Tolerância e abençoa com Amor e nada espera, nada pede em troca e afirma:
“Dai a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus”!
Oh, Jesus, Hosanna, sua moeda é o Amor!

Cabelos compridos − como eram os dos nazarenos −, olhar especial e grave de tal maneira que não se pode olhar fixo tamanha emanação de luminosidade para não se cegar, oh, Jesus, Hosanna!

Não queiram os homens colocar as próprias culpas nas costas de Jesus. A cada um segundo sua Obra. A cada um a responsabilidade de seus atos. A colheita é certa, sendo a semeadura correta ou torta. Jesus não pagou com seu sangue os pecados do mundo, o mundo pecador que o fez sangrar. Não adianta a quem quer que seja dizer: “aceito Jesus, e os meus pecados a partir de agora não existem mais”. Quem assim o faz quer ignorar − por comodidade − a reparação das próprias agressões contra si e a outrem. O exercício do verdadeiro Amor começa com a reforma íntima, a construção laboriosa da própria moral, elevação dos sentimentos. Jesus não veio deixar ninguém em estado de infância eterna, ao contrário, veio acordar e alertar os homens para serem deuses através do trabalho incessante no Bem. E não veio criar religião alguma, mas trouxe elementos para uma nova religiosidade, veio propor Paz, Amor, Tolerância, Justiça com os próprios atos, Responsabilidade, Caridade, Perdão, o prumo do caminho em direção a Deus...

Oh, Jesus, Hosanna! Nada parecido ouviram os hebreus, por isso ficara aturdida a turba, por isso ficaram enraivecidos os doutores da Lei e os senhores do poder temporal. Em terra de “olho por olho, dente por dente”, oh, coragem, oh, entendimento, oh, superação, oh sublimação, em promulgar “Retribuí o mal com o bem”; "Não resistais ao mal que se vos queiram fazer; se alguém vos bater sobre uma face, apresentai-lhe a outra."

Oh, exercício bendito vencendo o orgulhoso: suportar e expurgar o insulto e não mais querer se vingar. Oh, Jesus, Hosanna!, a projetar a caridade como meio ao homem entender o Bem, sacrificar em si o orgulho, vaidade, egoísmo, rancor, mágoa, ciúmes e ignorância para a centelha divina, que espera pacientemente desde o Princípio de cada um, manifestar e tornar-se cada vez mais chama divina ampliando as potencialidades benditas.

Oh, Jesus, Hosanna! Oh, bem-aventuranças, sermão da montanha, em eletrificadas mensagens a milhares de ouvintes, quando não havia eletricidade, nem equipamentos sonoros, e todos ouviram sua voz.

Oh, Jesus Hosanna, alertai-nos, sempre, para que não sejam os homens, como os escribas e fariseus que limpavam o exterior do corpo e do prato, mas por dentro estavam cheios de rapina e iniquidade.

Oh, Hosanna, oh, Jesus, Hosanna!, lançai do vosso amor uma vez mais, outra vez, outra vez e todas as vezes sobre a humanidade que tanto precisa dessa Luz, desse Amor, dessa Paz. Fique em nossos corações e mentes, com seu espírito imaculado, feito límpida túnica, irradiando a coragem para buscarmos com nossos esforços a própria purificação e olharmos no espelho da Verdade e nada mais que nos envergonhar, não mais temer o que poderemos fazer, pois nossos atos serão e estarão reformados, e teremos em nós o reflexo de DEUS: o Verdadeiro AMOR.

Oh, Hosanna, oh, Jesus, Hosanna!
Oh, Bem-Vindo, oh, Jesus, Bem-Vindo!

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Hosanna
https://www.youtube.com/watch?v=UXCoHxX1OC8
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