segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

NADA MAIS


NADA MAIS
Nilton Bustamante

Nada mais tenho que me faça sangrar o meu coração
Nada mais tenho que não possa aceitar reconciliação
Nada mais...
Nada mais tenho que não possa ao orar vibrar somente o amor
Nada mais tenho que não possa ser templo de sincero perdão
Nada mais...

Nada mais tenho que me faça alegrar com as quedas, sofrimentos daqueles que me repudiaram
Nada mais tenho que me faça negar mão estendida em gesto de aceitação aos que me negaram
Nada mais...
Nada mais tenho que me faça desviar daqueles necessitados de ajuda
Nada mais tenho que me faça não agradecer os senhores obstáculos
Nada mais...

Nada mais tenho que me faça negar meus olhos diante da beleza da vida
Nada mais tenho que me faça me arrastar com o peso das tolas desculpas
Nada mais...
Nada mais tenho que me faça não ouvir as silenciosas preces caridosas
Nada mais tenho que me faça não querer servir nos campos das batalhas
Nada mais...

Nada mais tenho que não me faça chorar diante do “milagre” da vida
Nada mais tenho que me faça ignorar a Natureza
Nada mais...
Nada mais tenho que me faça esquecer os filhos de Deus, irmãos meus
Nada mais tenho que me faça não sentir os abismos das faltas, das carências, das doenças, de quem sofre e não entende
Nada mais...

Nada mais sou
Nada mais sei
Nada mais...
Nada mais sinto
Nada mais penso... que não seja o Amor por todos os vossos e sobretudo por ti, Pai.

...
Moonlight Sonata
http://www.youtube.com/watch?v=vQVeaIHWWck&feature=BF&list=QL&index=2

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Portinari_pipas_1941


PIPAS E HOMENS
      Nilton Bustamante

Quantas vezes reclamamos de insônia?
Quantas vezes o corpo pede descanso e o espírito não consegue?
Quantas vezes reclamamos de solidão?
Quantas vezes o mundo gira e não conseguimos nos relacionar com nosso íntimo?
Quantas vezes sentimos que há algo errado e não conseguimos fazer nada para mudar?
Quantas vezes sentimos que mínimas coisas nos tiram a paz e nos desequilibram?
Quem são os culpados?
Quem ou o quê são os responsáveis por todos esses desgastes em nossas vidas?

Quando vêm as perguntas, os questionamentos, o querer saber, já é hora de se refletir...

O que importa o tamanho da noite se uma nova manhã sempre vem?
O que importa o escuro impenetrável se o sol sempre nos traz um “bom dia”?

À medida que a uma nova manhã chega, o sol traz sua luz em raios saneadores.
Se buscarmos com sinceridade verificamos que está em nosso íntimo as razões da insônia, solidão, tristezas, falta de paz e tantas outras seqüelas.

À medida que novas luzes chegam para nos fazer companhia, verificamos que nas paredes da nossa consciência estão marcas que purgam incessantes vários tipos de venenos. E as ações desses venenos são devastadoras. Corroem a saúde do Espírito e do corpo carnal. Chagas evoluem ameaçadoras, corroem feito os piores dos ácidos criando imensos abismos. Quanto mais vão se apresentando esses abismos, vamos nos distanciando do nosso eixo, do nosso íntimo, pois nossa essência mostra-se doente, torna-se um local minado por fontes venenosas e perigosas.
E as chagas são muitas.

Feito quem faz investigações criminalísticas e olha tudo e a todos com muito atenção e cuidado, principalmente as cenas dos crimes, temos que observar as imagens que estão impregnadas nos porões de nossa consciência. Com isenção e distante da idéia de se buscar desculpas antecipadas, verificamos que a consciência delata que a origem de cada marca criminosa, que purga seus venenos trazendo sofrimentos, tem origem (em menor ou maior escala) em nossas radicais violências de egoísmo, orgulho, rancor, vícios, fanatismo, apegos, mentiras, trapaças, mal querer, vaidade e contrariedades ao Bem e ao Amor. Nas luzes de uma nova manhã não haverão mais dúvidas. Tudo estará à mostra. Somos nós próprios os apontados criminosos responsáveis de todo o caos em nossas vidas. E não haverá contraditas, impugnações. Pois, a acusação virá do nosso próprio íntimo, de nossa própria consciência e de mais ninguém. Não poderemos culpar Deus, nem as pessoas, nem a má sorte. Somos nós os senhores e condutores de nossa felicidade ou infelicidade.

À medida que criamos o caos e um mar de venenos que não é possível navegar, ficamos exilados do nosso íntimo. Distanciamo-nos de nós mesmos. E quanto maior a distância, maior o abismo, maior a solidão, maior o pânico; quanto maior esse distanciamento, maior a depressão. Estaremos enfraquecidos e suscetíveis a todo tipo de desajustes.

Quem poderá pleitear e saborear dias felizes nesses quadros medonhos da alma?

Quando vemos os meninos tentando colocar ao alto dos céus as suas pipas, somente subirão e permanecerão as pipas que estiverem em harmonia com as leis que regem a aerodinâmica. Somente terão êxitos aquelas que estiverem equilibradas, pois ao mínimo desajuste, se possuírem algum peso que se distancie do seu eixo, do seu equilíbrio ficarão “pensas” e nas primeiras brisas, tenderão ao desastre da queda.

E assim é também aos homens. Quando Deus tentar colocá-los ao alto dos céus, e os homens estiverem distantes dos seus eixos, dos seus íntimos e essências, mesmo nos mínimos desajustes com a harmonia das Leis que regem o Amor terão em si pesos que levam ao desequilíbrio, estarão “pensos”, tortos, e nas primeiras brisas da vida tenderão aos desastres das quedas.

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N.A.: texto intuído

sábado, 26 de fevereiro de 2011

INITIARE


INITIARE (vivido por mim em desdobramento)
Nilton Bustamante


                             Vi minha liberdade ser arrebatada grosseiramente. Não tive tempo nem para entender o que estava acontecendo.
Vi-me sendo levado para um lugar desconhecido. Passei tantas fronteiras até ser largado a esmo, sem rumo, sem nada e no nada.
Fui despojado de minhas roupas, dos meus bens, da minha família, dos meus amigos, do meu conforto, dos meus domínios. Estava completamente só, no meu “eu”.
Ao sentir aquele desamparo, comecei instintivamente a caminhar.
Eu tinha que voltar para meu mundo, meu universo, meu porto seguro, minha história. Sentia-me um pombo-correio largado à distância.
Desnudo, não sei como, fui coberto por um pedaço de pano que se transformara num semimanto.
Dia após dia (sabe-se lá quantos?) andei por um caminho que não terminava e nem chegava a lugar algum.
Depois de muito caminhar, notei alguns movimentos. Quando dei por mim, estava perfilado à beira de uma estrada, com veículos passando. Havia, também, outros andarilhos. Passavam por mim sem parar, sempre em frente e em silêncio.


A partir deste momento coisas incríveis foram acontecendo:


Depois de ser “seqüestrado”, largado no nada, seminu e já completamente sujo, fétido, com cabelos e barbas de aspectos grotescos, continuei andando sem, contudo, pedir qualquer tipo de ajuda. Sim, não pedi ajuda alguma. Simplesmente meus olhares cruzavam com outros olhares curiosos vindos das pessoas, de dentro dos automóveis. E eles seguiam em frente e eu também.
Tomado de forte sentimento de autopiedade pensava: será que essas pessoas não percebem o meu estado? Meu sofrimento? O quanto já passei?

                        E com veemência aflorou a discriminação: 

                         Será que essas pessoas não observam que não sou igual a estes andarilhos? A estes mendigos? Que sou diferente? Se ao menos soubessem quantos carros possuí, das casas onde habitei, das coisas que sei, das histórias que vivi...

Não suportava mais aquela indiferença.

O tempo foi passando e quando meu orgulho foi deixado de lado aproximei-me de um automóvel, provocando quase um desastre: a mulher que o conduzia fechou os vidros rapidamente e, trocando de faixa viária, fez outros veículos frearem bruscamente. Diante de tanta confusão recuei, sem poder dizer uma só palavra, uma só sílaba e continuei a andar apressadamente sem mais parar. Atônito, comecei a notar o grande número de andarilhos à margem da estrada, à margem da vida, à margem das pessoas estabelecidas. Quais histórias carregam dentro de si?
Lembro-me que cheguei a uma cidade pacata, porém muito arrumada e limpa.
Chamou-me a atenção o fato de os moradores serem todos anciãos, rigorosamente asseados e organizados para o fim da vida carnal.
Nunca estive tão quieto, tão calado, tanto tempo sem conversar.
Nunca me senti tão pobre, tão desprezado.
Que sensação horrível ao me aproximar de alguém e ser imediatamente evitado... Contato zero. 


Aí eu parei de andar. Comecei a refletir.

Lembrei-me que outro dia, orando, pedi a Deus que me proporcionasse algum meio para me conhecer melhor. Queria ter consciência do que ainda de falho habitava o meu íntimo?

                        Oh! Pai, agora percebo...


 Preciso despojar-me dos meus bens, das minhas roupas, dos meus diplomas, das minhas conquistas, do meu corpo e verificar o que realmente sobra do meu ser, da minha essência.
Preciso repensar minha posição perante a vida.
Nesse novo plano de realidade, como tela de cinema a qual fui introduzido, vi-me na indiferença das pessoas que conduziam seus automóveis. Vi-me egoísta desejando autopiedade. Vi-me discriminando outros iguais, apesar de me encontrar em nível terrível de pobreza espiritual.
Minha alma deve estar limpa, organizada, asseada como aqueles anciãos aguardando o momento da passagem.


Obrigado, meu Pai, por permitir que eu trilhasse a estrada do meu próprio espírito.

                        E assim, percebe o homem que é um pombo-correio largado pelos campos de Deus; o homem ao retornar, verifica que ele e sua obra exposta ao mundo são a própria mensagem.
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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

MENINA CALÇADA




 MENINA CALÇADA
              Nilton Bustamante

Andando vendo os sorrisos dos meninos
Arrasto os chinelos que não querem chegar
- Só querem passear -
Balões, doces, presentes pelos caminhos
Sorrindo vou deixando meu coração sem jeito
Sem saber o que fazer...

Nas calçadas música segue meus ouvidos
Meus olhos tatuagens querem a dança do andar
- Só querem provocar -
Corações fantasias dos quartos vermelhos
Que estão abandonados, que estão cansados
Sem saber o que fazer...

Noite mansa, vem quente, quero autografar
O meu corpo, minhas paredes, em meus altares
- Hoje não quero rezar –
Quero fechar meus olhos encontrar o beijo
Que procuro tanto tanto tanto descobrir alguém
No doce do escuro...

Andando vendo os sorrisos dos meninos
Arrasto os chinelos que não querem chegar...
Procuro, procuro, procuro...

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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

CISNE NEGRO CHAMADO JOHN LENNON DA SILVA

CISNE NEGRO CHAMADO JOHN LENNON DA SILVA
autor: Nilton Bustamante

Cisne negro, abra tuas asas, estica-te, quebra-te em mil pedacinhos
Cisne negro, mil ondulações movimentos,
Cisne negro, mil ondulações sentimentos,
Agoniza diante da morte

Cisne negro, seja leve, seja brisa, seja vento, vai-te, tenta voar, tenta
Cisne negro, eu peço, imploro, não te vás,
Cisne negro, eu peço, choro, não morras,
Agoniza e engana a morte

Ah, Cisne negro, te escondas, sejas agora um rapaz bem magricelas
Ah, Cisne negro, dance sem figurinos
Ah, Cisne negro, dance penas a alma
Agoniza, sonhe
Tente voar, voar como quem não se preocupa com a vida, nem com a morte
Quem não precisa ouvir nada e ninguém
Quem apenas é livre no palco e dança a sorte

Deixa teu corpo de asas imaginárias, voos imaginários
De camiseta, tênis e calças jeans
Venha viver em meu coração que tem um lago
De tanto eu chorar ao te ver dançar...

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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

ALGO MACHUCANDO
Autor: Nilton Bustamante

Tem algo machucando 
Não sei dizer se é de mim ou de você
Corta, sangra, grita,
Não sei dizer como isso vai passar...

Estou no muro mas não sou sua 
Pra me usar, bater e cuspir
Só pra me fazer chorar.

Sua fala é torta não encontra a minha.
Seu toque é seco, não molha, 
Não me faz brotar.

O céu está tão azul e chovo em raios
Trovoadas que me assustam,
Que me partem
No que eu sonho e no que sou.

O feitiço virou o que não deveria ser,
Não me faça ser o motivo 
Ser o descaso, andar no fio de aço frio 
No que eu sonho e no que consigo ser...

Sou sua, sou sua, sua mulher
Sou sua, sou sua, sua mulher
Que abriu a porta e cantou na chuva
E se foi...



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PAPER AEROPLANES
http://www.youtube.com/watch?v=VOt9WU8Bt6g&

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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

"HUM HUM"



HUM, HUM
Autor: Nilton Bustamante

Pelo jornal um anúncio tentador: “Quatro dias em Paris”. A indústria do turismo a todo vapor.
Os preparativos começam com minha máquina de calcular despesas e possibilidades. Em um encontro de números, fico convencido.

Chegou mesmo a hora. Velha Senhora, poeira antiga, terá as solas dos meus pés. Quatro dias, um final de semana prolongado.

Um “bate e volta” mais ousado.

Eu que gosto tanto de escrever, preciso daqueles ares. Fantasia ou não, quem não precisa, afinal?
Fico entregue, meu coração acelera, não me espera, segue viagem... Vou atrás. Avião, imigração, hotel. Tanto faz. Quando dou por mim, chego às escadas da Basilique du Sacré-Coeur, Montmartre.
Turistas mil, mil faces, mil sapatos e tênis, de mil poeiras de terras diferentes; pessoas caladas, diante do homem que toca sua harpa enquanto a música parece sair pelos seus dedos, em troca de algumas moedas... Uns ficam parados, outros não conseguem. Uns tentam, mas pelo visto não conseguem mesmo entender o que a melodia traz. O homem da harpa suspira pelo olhar...

Respiro Paris! Sinto Paris, finalmente!

Quase não posso me controlar. Depois de tantas saudades, eu que nunca havia visto Paris – já sofria –, agora, toda, toda, toda em meu abraço.

Não sei se por eu estar na terra dos poetas, pintores, músicos e amantes – artistas dos corações –, meus olhos são levados por engano a um sorriso despreocupado. Sim, só pode ser engano. Um engano que está se repetindo. Não consigo deixar de olhar lá perto-longe a mulher-menina com suas duas tranças, cada qual tocando os ombros como se fossem pra lembrá-la que há juventude, há o que se experimentar nessa vida de tantas noites longas e dias curtos...

Uma menina-mulher, com ares de quem sabe o que quer. Lenço colorido em volta do pescoço. Braços cruzados balançam o corpo regendo a canção que sai dos dedos do homem e sua harpa mágica.
As orelhas à mostra, quem sabe a espera de ouvir o primeiro, ou mais um, e mais um, e outro mais... Pecado.

Um impulso – ah, esses impulsos que nos arriscam o pescoço –. Fico alinhado, noventa graus, bem defronte dela. Fico na torcida por meus olhares vazarem o homem músico, entre nós. Fico plantado feito soldado, posição de sentido, caçador camuflado... Pra falar a verdade, nem queria olhar pra essa menina, essa mulher; francamente, esses truques são tão antigos, tão indecentes... Mas, algo aqui é mais forte.

Não consigo parar de mirá-la entre os vãos das cordas que vibram. Cada toque dos meus olhos, toques dos dedos nas cor das da harpa, arco e flecha, a emoção da música e do querer, do desejar.

O templo principal, basílica, continua imponente. Indiferente.

Talvez comigo seja diferente, talvez tenha então a absolvição dos levantes dos hormônios e do meu coração...

Na primeira distração, brumas em meus olhos, menina-mulher de tranças não está mais em minha visão. Foi-se. Não me atentei, nem percebi. Corri escadaria acima, melhor visão e nada. Não era para me sentir assim, mas fiquei triste. Eu havia me acostumado tanto, tanto com aquele semblante sorrindo, feito pêndulo, feito marcador de tempo, das batidas, de um lado ao outro, acompanhando talvez o balanço do seu próprio coração...

Moulin Rouge não te quero hoje, pelo menos hoje, não... Não quero sorrisos plásticos, não quero, não quero... Quero gente de alma e labirintos. Alguém que não seja todo de mentiras, que não seja todo de verdades ensaiadas.

Caminho sem pressa pra chegar. Caminho sem mesmo querer chegar. Afinal, é só seguir pra lá e pra cá... Tudo pra mim é novo.

Ando, ando, ando... São tantas coisas pra ver. Recuso-me andar com mapas. Como são os brilhos dos olhares das pessoas daqui?

Suave toque em meu ombro direito. Volto, com a neura de turista que pensa que será roubado na próxima esquina. Minhas pernas não sustentam meu peso, um frio sobe relâmpago em minha espinha.
Nada menos que aquela menina de tranças que tocam, gentis, seus ombros. Ela sorri e diz qualquer coisa, que não consigo entender – ai, meus santinhos franceses, deem uma ajuda aqui –. Olhando bem, ela não é nada nada menina; é completamente mulher. Mas, o que importa isso agora? Sorrio amarelo, coração disparado, e estico minha mão à dela. Sinto a maciez delicada e gélida. Nossas mãos prendem-se, enroscam-se mais que o de costume das primeiras apresentações; isso faz-lhe recuar e esconder a mão atrás dos cabelos.

Surge leve sorriso feminino para amenizar qualquer embaraço...

Sinalizo com meus dedos, faço ponte entre meus olhos aos olhos dela, e imito o homem da harpa. Fiz a entender que eu a vi naquele lugar, há pouco. Ela abre o sorriso mais lindo que meu olhar já pousou. Ficamos nos encarando e rindo. Algumas vezes confusos, outras vezes querendo continuar sendo mesmo assim.

Fizemos um ao outro um convite para andarmos... Aceitamos.

Viva a mímica internacional! Afinal, somos seres humanos norteados pelas mesmas leis naturais.

Ruas, alamedas se achegam como se fossem velhas conhecidas minhas.

Ela fala tudo pra mim em Francês; eu, em Português.

Rir é o jeito. Algumas vezes tentamos repetir o que um o outro acabara de falar... É muito engraçado. E eu me pergunto: o que é isso? Devo estar sonhando...

Os nossos olhos se olham ao mesmo tempo e repetimos “Hum hum”, e lá vem outra explosão de risos. Tudo é motivo para rir (risos são excitantes).

Loucura, duas pessoas em Paris, por Paris, que não se conhecem, por uma empatia qualquer decidem andar juntas pra todo lado, conversando normalmente, quer dizer, quase normalmente, como se fossemos muito conhecidos um do outro. Cada qual em sua língua-pátria. Quem ver ou ouvir vai ficar sem entender. Se é que eu estou entendo alguma coisa!

Minha mão sente outra vez a delicadeza e o frio. Sua mão me leva até um automóvel estacionado. Ela abre a porta e faz sinal pra mim. Claro, eu estava adorando tudo aquilo. Fiquei imaginando como seria Jota Quest cantando em Francês! – maluquice minha –. E por falar em maluquice, essa francesa deve ser completamente maluca por confiar em um estranho e estrangeiro, assim. Ou serei eu mais louco ainda? Logo mais chegamos à Rue Mouffetard Market. Parece filme da sessão da tarde, sessão coruja, todas as sessões. Estou flutuando. Cada cantinho dessa rua é visitado: fromagerie, boucherie, degustações de ostras, vinho branco, café expresso... Depois, Ile Saint-Louis, Notre-Dame, Rue Saint-Honoré com suas lojas de moda, bijuterias; Musée Du Quai Branly, com suas mil máscaras e cores; Rue de Rivoli, Hotel Meurice – um luxo só –, andar por seus salões como quem não quer nada, uma grande e gostosa molecagem ficar andando por tudo aqui e ir embora, rindo. Logo mais, Eifell, vimos um casal se beijando, minha francesa ficou um pouco vermelha – percebi assim –, corremos para um grande carrossel com suas luzes e sons, nas imediações – claro, sessão criança não poderia faltar.

Chegamos ao rio Seine e um providencial beataux – acho que li Chevalier – a nos esperar, já 7h30 da noite; os raios do sol em seus últimos suspiros, nuances, silhuetas pelas margens eram nossas distrações... Eu a olho cada vez mais encantado. Sentamos nas bordas do barco que desliza pelas águas seculares. Ela está de um lado, eu do outro. Ficamos nos olhando, olhando, olhando.
Já está quase totalmente escuro. Meus olhos fixos antes secos, agora, pequeno vapor, sentem formar uma lágrima. Ela está percebendo e se aproxima. Senta-se bem ao meu lado. Pega minhas mãos e junta às suas. Ficamos assim, quietos, se olhando dentro dos olhos, enquanto o barco vai seguindo o seu destino... E o meu? E o meu, meus santinhos franceses?!

Ao fundo dá para ouvir um acordeon. A noite fica mais francesa.
Incrível. Isso aqui é tudo verdade mesmo? Ela encosta sua cabeça em meu peito, fica imóvel (e eu mais ainda, quase não respiro), pensando sabe-se lá o quê. Tenho receio agora em imaginar.

Puxo sua mão e a convido para dançar. Já que havia música, o barco passando sob as pontes, a noite sempre é convidada amiga. Nossos passos quase não saem do lugar. Tudo muito lento. Talvez não desejamos que o tempo leve embora esse sonho bom. Posso ouvir o seu coração. Na certa ela ouve o meu também. Ela passa sua mão macia em meu rosto. Abre meus lábios. Brinca. Sorri... Sem deixar que os olhares saiam um de dentro do outro... Um beijo, o primeiro beijo, suave encostar de lábios estrangeiros. Um calor, um frio, um desejo que nem sei explicar. Pego suas tranças e a trago pra mim, novamente, o beijo, outro beijo e mais e mais... Procuro soprar alguma palavra doce... Ela procura soprar alguma palavra doce... Só nós podemos entender essa déclaration dos corações, mas podemos docemente sentir.

Fico entregue, sigo com as águas, com a correnteza. Ela faz seus caminhos, me leva para seu pequeno prédio. Sabíamos, sem nada dizer, o que nos esperava. O lugar todo muito antigo. O elevador é daqueles de porta pantográfica. Um charme só. Nunca um elevador demorou tanto para chegar ao destino. Ela para diante da porta. Pega as chaves. Hesita. Olha pra mim. Algo intimamente a convence. Acende os dois abajures; o suficiente para iluminar toda a sala. Livros e mais livros. A maioria arrumada, alguns jogados. Ela me deixa a vontade no sofá. Liga o som. A música do disco não poderia ser mais apropriada. Ela some para dentro do apartamento. Eu me levanto e vou à pequena sacada. Carros passam. Pouco barulho. Sua voz tão doce arrisca “Hum hum”... Basta isso, para rirmos. Ela chega com duas taças e duas garrafas de bordeux – ai, meus santinhos franceses, sim, mais uma vez, como bebem esses seus compatriotas, como bebem! –. Ela mostra-me suas coisas que mais lhe interessam. Lembranças, quadros, quadrinhos, vasos, plantas, e um pequeno cristal desenhado um nome. Soube aí, o seu nome – antes não me ocorrera em lhe perguntar –, Christine. E quando o meu ela pronunciou de uma forma que não vou me esquecer...

O meu nome primeira vez no som dos lábios dela. Esses delicados momentos, dos encontros, são para sempre, para sempre.

Vez ou outra eu arrisco um “magnifique!” só para vê-la sorrir mais uma vez.

Christine é filha de belgas. A menina-mulher que fica defronte a Basilique du Sacré-Coeur, Montmartre, balançando feito pêndulo, de um lado ao outro, acompanhando a melodia que saem das cordas, dos dedos do homem da harpa, aqui, agora, diante de mim. Encostamos nossos ouvidos um no coração do outro, brincamos com mais um “Hum hum”... Pego pequeno tapete e mais uma colcha, vou até a sacada e cubro a grade do parapeito. Christine entende o cenário, forra o chão da sacada com tapetes, cobertas e almofadas. Pegamos um pedaço grande de voil de uma cortina desmanchada – acredito que veio da lavanderia e estava para ser remontada – e colamos com pequenas fitas. Ficou uma cobertura, leve, suave, transparente, o suficiente para ficarmos deitados olhando a noite na sacada. Tiramos aos beijos nossas roupas, sem pressa, ofegantes sim, mas sem pressa.

Deitamos nessa pequena tenda oásis de deserto sem vizinhos, sem preocupações; somente a noite, luzes dos abajures, a música e dois corações estrangeiros... Dos calcanhares (e suas fraquezas) aos fios dos cabelos, tudo foi sentido, tudo foi permitido. Das mordidas, tudo foi devorado, tudo foi mastigado. Dos segredos, tudo foi dito, em nossas línguas, mas, tudo foi dito, tudo foi percebido, mais, mais e mais... E outra vez mais.

Os primeiros raios de sol ameaçam a penetrar nosso santuário.

A preguiça é maior. Ficamos até a manhã vir grande, primeiras brisas, abraçando nosso ninho, nosso canto tão generoso...

Dos três dias restantes, ficamos entre cafés parisienses, passeios pelo Siene, tomando vinho, comendo “coisinhas”, noites chocolate e tenda de amor madrugada em encontros cada vez mais estrangeiros. Pensando bem, todo ser humano é um estrangeiro do outro.

A cada dia que passava, sabíamos, em nosso íntimo, que o fim estava cada vez mais próximo.

Angustiante. Já não podíamos mais viver sem um ao outro. Já usávamos a mesmíssima escova de dente – era assim –; chegamos um dia a nos abraçar e a chorar muito. Emoção que meu coração não suportou segurar.

Meu voo já marcado; mostrei-lhe o dia e horário. Ela chorou uma vez mais. Entrou pro seu quarto e lá ficou. Não queria mais me ver. Eu da janela da sala à porta do quarto, em mil e uma caminhadas, passos de gato para não chamar atenção. Não sei o que fazer. Se ao menos eu falasse algo melhor que frases cortadas do dicionário...

No bloco de recados, escrevi meu endereço, meus telefones, meus e-mails, nome, sobrenome, tudo, tudo, tudo... Deixei escrito: CHRISTINE, “HUM HUM”, JE T’AIME!. E fui embora.

Nunca meus olhos choraram tanto, nunca meus passos ser perderam tanto. Ao mesmo tempo em que eu precisava ir, queria ficar.

O avião, os aeroportos, Paris – São Paulo, cidades de planetas tão diferentes...

Chego ao barulho que havia esquecido. Trânsito. Buzinas. Pressa e mais pressa. Tento me lembrar de tudo, o tempo todo, para não esquecer nada, nada, nada...

Os dias passaram.

Eu queria entender tudo aquilo. Não conseguia. Olhava a secretária eletrônica e nada. Como estaria a doce Christine?

Como estaria o meu amor estrangeiro? Meu amor dos ares e dos céus franceses, terra dos poetas, pintores, músicos e amantes – artistas dos corações –? Sessenta e dois dias se passaram desde minha chegada de Paris.

Eu contava, contava...

Eu caminhava pela calçada bem próxima à minha casa, suave toque, em meu ombro direito. Olho assustado para trás como quem tem a neura de que vai ser assaltado a qualquer momento.

Meu coração sai pela boca – não pode ser! –, um frio, sobe relâmpago pela minha espinha, minhas pernas não aguentam o peso do meu corpo... “Hum hum”.


......



Mon Ame Bohémienne

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

AVISO AOS NAVEGANTES


AVISO AOS NAVEGANTES
autor: Nilton Bustamante

       O planeta Terra não mais aceitará ser encharcado com o sangue dos crimes da humanidade terrestre; não mais aceitará as vibrações psíquicas, mentais e espirituais, daqueles que mentem, promovem falcatruas, traições, vaidades e egoísmos; não mais aceitará os orgulhosos, ciumentos, rebeldes, rancorosos; nem aqueles que abraçaram os vícios de todo tipo e ordem.

       Os homens encarnados ou desencarnados que vibram contra as Leis do Amor, estão aqui na Terra com seus dias contados por Deus.

       O nosso planeta está em um novo ciclo vibratório; aqui habitarão somente aqueles que estiverem da mesma forma em harmonia com a vibração-moral mais evoluída, mais próxima do Divino.

       Espíritos de outras esferas mais benditas, de outros planetas moralmente acima dos que habitam a Terra, já estão vindo para cá e estão se encarnando entre nós, para ajudarem nesse novo ciclo planetário.

       Quem ficar no comodismo dos costumes dos erros que prejudicam a si e a outrem, que mal aproveita suas oportunidades nesta escola-Terra, chegará o tempo que não mais poderá permanecer encarnado ou desencarnado aqui no planeta.

       A Terra está se preparando para receber o novo Sol do Amor.

       Aqui não se permitirá - e nem se conseguirá - vibrar qualquer sentimento contrário ao Bem. Tudo será mostrado MENTALMENTE. Ninguém mais esconderá seus crimes; não haverá mais disfarces, nem enganações. Tudo estará no perispírito do ser, mostrando sua identidade moral.

       Aqueles que insistirem com seus campos mentais da desarmonia, do desamor, sentimentos de vinganças, desejos de poder e falsidades, que não aproveitarem as oportunidades de evolução, serão enviados para suas novas moradas, moradas que estarão apropriadas vibracionalmente para recebê-los; esses lugares serão de acordo com os parâmetros morais dos novos moradores. E, essas novas moradas, esses planetas não terão mais as benesses do planeta Terra: as graças das flores e das árvores, brisas, perfumes, cores, frutos, águas, rios, oceanos e mares, animais e aves que embelezam, nem as Artes que espiritualizam... Enfim, não terão nada do que hoje encontramos em nosso planeta que tanto amenizam os possíveis sofrimentos humanos (sofrimentos esses que são oriundos de pretéritas experiências de vidas escolares).

       E por falar em benesses.... Lembramos que as "doenças" mentais, psicológicas e físicas, são reflexos dos males dos quais vêm no íntimo do espírito. O que parece um enorme sofrimento sem fim, na essência é realmente uma benção: o corpo físico é o filtro onde se expurga todos os males, todos os venenos, todas as energias maléficas contraídas pelo espírito em suas más ações nas andanças anteriores, em suas múltiplas vidas (múltiplas reencarnações). Estamos aqui, encarnados, para, entre outras coisas, nos expurgar, para nos beneficiar dos mecanismos da Engenharia Divina e ficarmos em condições propícias de uma melhor "saúde" espiritual. Sim, sofre-se nas doenças; então temos aí a ideia do que vai em nosso ser, das imundícies em nossas bagagens fluídicas contraídas pelas nossas irresponsabilidades e inconsequências, que precisamos nos desfazer.
      
       Neste planeta água chamado Terra, chegará o tempo que não haverá mais religiões; haverá, sim, o MANDAMENTO DO AMOR que nos religará ao Divino Pai Celestial.

Sim, todas essas observações são para servir de alerta aos que habitam o planeta Terra (e principalmente para mim).

...

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

QUANDO AS ESTRELAS JÁ ERAM POR MIM




QUANDO AS ESTRELAS JÁ ERAM POR MIM autor: Nilton Bustamante Quando aqui cheguei estava meio confuso, estava recluso, tímido Tantas eram as risadas, Tantos os sorrisos que encontrei E eu não sabia o por quê? Andei em volta das pirâmides querendo deixar o sol entrar em mim Areias dos tempos, Luzes dos templos no coração E eu não sabia o que fazer Sem saber Tentava andar mil passos sem sair do lugar A esperança − não dá pra explicar −, é algo do milagre das estrelas Ao fechar dos olhos em cego desespero, e o coração falar mais alto E eu não sabia o que ver Sem deixar de duvidar, sem deixar eu me amanhecer Meu amanhã era assustador em ter somente a solidão para esperar Quando eu tinha apenas um sonho, Apenas sonho de viver E eu não sabia o que sentir Todas as vezes que chorei, todas as vezes deixei as lágrimas partirem Todas as vezes que levei meu olhar ao alto
Sem saber já o milagre da esperança
Quando as estrelas já eram por mim As estrelas já eram por mim... ... _________________________________ Se Tu Quiseres Crer - Robinson Monteiro
https://www.youtube.com/watch?v=yxdpmL5Leqk



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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

ANTES QUE ME ESQUEÇA


ANTES QUE ME ESQUEÇA
Autor: Nilton Bustamante

Ao fechar meus olhos na noite que havia avançado dentro de mim, adormeci.
Logo meu espírito, em desdobramento, começou a andar por terras desconhecidas pelas minhas lembranças mais afloradas.
A poeira, o solo, as cores, os movimentos, eram totalmente desconhecidas para mim. Era uma nova experimentação: novas gentes e costumes, enfim uma cultura completamente diferente. Pensei que poderia ser a Índia. E era. Andei pelas ruas sem desenhos certos, procurei olhar para dentro das casas, para dentro das pessoas. Cada uma que se apresentava vinha trajada por roupas multicoloridas, tons maravilhosos. Notei uma movimentação em uma das casas, na entrada havia uma pequena escada e no topo um senhor que parecia satisfeito por eu ter escolhido aquele recinto para adentrar. Era uma casa de cultura. Muitos dançavam, e uma música expandia por todos os ‘poros’ dessa construção.
As pessoas, pareciam felizes.

Continuei a minha andança e por guia minha curiosidade.

Uma outra construção muito maior apresentou-se.
Queria conhecer o íntimo das pessoas, o dia-a-dia. Várias mulheres, algumas destacavam-se pela beleza e adornos dourados. Uma dessas pessoas, reconheci uma amiga minha aqui do Brasil: Anali, filha do ‘seu Rubens’, meu orientador no espiritismo kardequiano quando esteve encarnado entre nós.
Fiquei tão admirado. Pensei: o que será que ela está fazendo aqui?
E noutro sobressalto, continuei comigo mesmo: E não é que ela realmente parece uma indiana? Tem todos os traços. O preto dos cabelos, a fisionomia marcante... Como nunca havia percebido?
Nesta grande construção havia muitas moradias, muitas famílias. E fui olhando casa por casa, família por família.

(Confesso, sinceramente, que passou-me, num determinado e curto momento um pensamento de sensualidade, pois havia se apresentado uma mulher muito bonita, exótica. Logo procurei desfazer-me dessas vertigens que assolam o inconsciente coletivo e o consciente nada coletivo de minha alma. Assim que consegui, fiquei feliz. Intimamente sabia que não poderia em hipótese alguma ter interesses ligados à “carne”. Entendi que tinha que corrigir-me moral e espiritualmente; deveria ser assim encarada dessa forma para o meu próprio bem, preparando minha reforma íntima).

Ao chegar na última moradia, última visita, observei que ali era o local moradia de somente um homem. Imediatamente ele me tirou daquele lugar. Percebi que vi o que tinha que ser visto e, em seguida, ele me deixou em outro lugar completamente diferente, mas, paradoxalmente, com muitas coisas em comum, sem eu poder saber bem quais eram as semelhanças.
Eu agora estava na Arábia. No âmago do meu ser eu sabia que ali era a Arábia, sim senhor.
Fiquei maravilhado, pois duas coisas vieram aos meus olhos e mente: a luminosidade e cor. Predominavam. Era algo que representava as areias do deserto nas tardes em que o sol ameaça ir embora. As imagens, a geografia, o pó na mesma cor de areia pálida que inundava todos os lugares, eram espetaculares.

Pensei comigo: tenho que aproveitar e olhar tudo aqui, com muita atenção, pois vir à Arábia é uma experiência maravilhosa, e saberei como realmente é este lugar (eu parecia turista olhando até as cores das pedras do local visitado para, depois, contar aos amigos).
De repente, eu estava em uma nova localidade, uma cidade bem antiga. Dezenas e dezenas, talvez centenas de pessoas que se amontoavam. Algo importante estava acontecendo.

(É bom salientar que sempre nos desdobramentos, nas saídas do meu espírito quando deixo o jugo da matéria, estou acompanhado pela ‘minha proteção’: meu anjo guardião e outros tantos irmãos da Espiritualidade bendita, que, sei, estão comigo em parceria e atenção, usando do meu fluído – meu ectoplasma – para as atividades que são pertinentes a outros planos, outras intenções, sempre para o Bem, com a permissão de Deus).

Voltando aos acontecimentos...

Percebi que havia uma irmã, toda de branco, em silêncio, bem ao meu lado. Acompanhava-me por todos os lados. Estava caracterizada como aqueles “locais”. Nisso, uma balbúrdia mesclava correria e medo. Dava pra sentir no “ar”. Entrou uma caravana de homens a pé. Homens soldados. Causavam calafrios por onde passavam. Imediatamente a multidão formou um longo corredor para o cortejo passar. Avistei, vindo já perto de onde nos encontrávamos, a autoridade principal daquela caravana, um homem todo de preto, com turbante enrolado - somente dava para ver sua face. Um semblante horrível -. E a energia que chegava até a mim, não era nada boa. Pra falar a verdade, preocupava-me em demasia. Ele cada vez mais perto. Eu torcia, rogava para que ele passasse por nós, sem nos perceber, muito menos à minha parceria, irmã companheira. Eu estava preocupado com a segurança dela, imagine.

Um grupo de homens soldados seguiam à frente, perfilavam para a total segurança daquela autoridade ao centro, vindo imediatamente atrás outra turma de homens soldados. O Senhor daquele povo já estava bem próximo, alguns metros de nós, quando, pela primeira vez, essa irmã toda de branco sinalizou-me mentalmente que tínhamos que fazer exatamente igual ao povo e nos curvar aos costumes para que ficássemos incólumes quando o “centro das atenções” passasse por nós. Deveríamos ao máximo não chamar atenção dele. Era extremamente perigoso. Então, ao passar por nós, nos ajoelhamos e tentamos nos esconder nessa postura submissa, entre o povo. Passou o primeiro grupo de homens soldados. Passou também o Senhor das roupas pretas e eu segurando a respiração. Quando o insólito aconteceu: o homem de preto tropeçou em uma saliência e quase caiu. Foi um alvoroço. Seus homens soldados pareciam formigas, com coreografias dos filmes sobre guarda-costas. O homem aprumou-se. Chamou o seu “intendente militar” (podemos assim dizer). Falou-lhe algo ao ouvido e seguiu com o grupo, mas, ao mesmo tempo parte daqueles homens soldados agarraram aquele que estava exatamente à frente do homem de preto, e o fizeram ajoelhar-se. Eles ficaram à nossa frente - da minha irmã de branco e eu.
Vi seus semblantes muito de perto.
Vi como eram os cabelos do homem ajoelhado (era de aspecto pixaim).
No primeiro momento seu semblante era impávido, imponente; logo depois, temor pelos olhos. Estavam junto a ele, dois algozes. Um deles desembainhou uma adaga assustadora. Enquanto o outro segurava firmemente a cabeça do coitado. O primeiro, com a adaga, começou a fazer dois olhos na nuca do recém-condenado. Neste momento, entendi o motivo daquilo tudo. A autoridade – o homem de preto -, culpou, pelo seu tropeço, o homem que guardava a sua frente. Como castigo deveria agora ter dois olhos na nuca para enxergar melhor (seus homens precisam enxergar também pelas costas e zelar pela segurança). Era um cruel aviso aos demais.

Enquanto o sangue jorrava, apareceu um senhor bem velho, cabelos totalmente brancos, condoído, tirou um anel de ouro do próprio dedo, entregou aos carrascos, pedindo que eles parassem com aquela tortura, que não precisavam ‘afundar’ ainda mais os ‘novos olhos’ na nuca do sem sorte.
Nota-se assim, os horrores que poderia habitar o íntimo da grande autoridade local, o homem de preto.

Neste momento voltei para o meu corpo físico, despertei e fiquei pensando nas cenas aterrorizantes, na crueldade desses irmãos. Os motivos das idas e vindas, cabem à Espiritualidade.

Peço a Deus por todos e o agradecimento por me incluir, de alguma forma, em seus Planos. E antes que me esqueça, depois de uns 25 dias, deixo aqui mais esse registro, exatamente momentos antes de eclodir os protestos contra o ditador Muammar al-Gaddafi.
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Hindú-árabe instrumental (Mario Kirlis)
http://www.youtube.com/watch?v=6W80LO5WCB4

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Arabic instrumental
http://www.youtube.com/watch?v=Ypw-XCdZflg&


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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

VÔO SEM ASAS


VÔO SEM ASAS
Nilton Bustamante

Hoje fiquei assim... lembrando que te amo
Uma vez falei o que eu já desejava
Queria você ao meu lado...
Você sorriu, disfarçou
Eu sorri, e sua mão ficou encostada na minha

Hoje fiquei assim... lembrando que te amo
Minhas roupas ficaram diferentes
Ficaram camisetas e blues jeans,
Ficaram um tanto de céu, um tanto de mar

Hoje fiquei assim... lembrando que te amo
Senti algo tão diferente em mim
Andar por aí sem você fica tão sem sentido
Agora não tem graça descer as escadas correndo

Parar com o que está se fazendo, sem perceber
Ficar pensando nas coisas mais bobas,
Tudo que fizemos até a um minuto atrás
Piadinhas que somente nós conseguimos achar graça e rir...

Sentir o coração bater cada vez mais forte
Fazer propostas entre risos juvenis,
Só pra se fazer juntos, sempre juntos sob chuva e sol
Se beijar no elevador e sair como dois ingleses sangue azul

E rirmos pelas calçadas
Porque o sentido da magia é ser feliz,
A felicidade de voar bem alto,
Só depois descobrir que não foi preciso ter asas

Hoje fiquei assim... lembrando que te amo
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My Love - Paul McCartney & Wings
http://www.youtube.com/watch?v=DN4ZDjFGUB0&amp

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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

FÉ OU LÓGICA?





FÉ OU LÓGICA?
Nilton Bustamante


Muito mais que ato de Fé, é uma compreensão, Lógica: 
ter no fundo da alma a convicção que o Pai Eterno ao fazer suas preces dirigidas à Sua Grande Obra, cada um de nós estamos divinamente agraciados, pois somos parte desta Obra de Princípio Inteligente, somos frutos de sua Criação Divina; recebemos continuamente salutares graças e vibrações de Amor.

Mais do que crer, devemos saber.


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HOMEM FÊNIX



HOMEM FÊNIX
Autor: Nilton Bustamante

Quando pensei que eu era todo barulho, ruído das multidões,
Turmas dos bares, dos intermináveis shows,
As almas alinhavadas com mil canções,
Eu seguia entrando em mil sorrisos nas selvas dos olhares quentes e frios.

Quando pensei que os meus ouvidos eram ralos do mundo,
Palavras recortadas sem sentido
Seguiam perdidas, esquecidas nas insanas risadas,
Choradeiras vozes cada vez mais altas querendo impor cada qual sua solidão...
Quando fui me destruindo, deixando minhas partes nos caminhos,
Fui me desmanchando até ser sopro,
Uma brisa que foi ventania que buscava − quem sabe − a sua paz.

Hoje sigo em canoa nos encontros com outras ventanias,
Outras sintonias,
Pelos paraísos perdidos em forma de mansos rios...

Hoje sigo pelo ar, asas das aves e dos pássaros,
Sigo pelas águas remansas com os animais,
Dentro dos olhos de pequeninos peixes, em forma de fé...
Hoje balanço no balanço dos rabos dos gatos e dos cães,
Ouço a fala da minha alma que é de tudo quanto antes tão pouco
Ou quase nada sabia eu.

Antes era preciso mil corpos para minha fome,
Hoje apenas um dar de mãos, num gozo que nunca havia sentido igual...
Assistindo a alma do homem virar − quem sabe −
Outra emoção
Outra esculpida oração...

Hoje sou apenas transformação.

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Fênix - Vercilo

http://www.youtube.com/watch?v=7ezMc8Uvb4I

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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

LÍBANO


LÍBANO
Nilton Bustamante

danço a dança que não sei


canto o canto que não entendo


meu coração balança o sentimento que em outras vidas

já amei

 
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lebanese song
http://www.youtube.com/watch?v=phWpWKPyLRw&
 
 
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BEIJO-ESPANHA


BEIJO-ESPANHA
autor: Nilton Bustamante

Espanha,
Terra adorada, terra de amores!
Meu sobrenome é capa, é bandeira, é Bustamante,
Mas de nada me vale,
Espanha,
Por sorte tenho as mouras noites em seus céus para me acompanhar.

Espanha, em minhas viagens loucas
Sou peregrino de mim mesmo, ciganos pensamentos que vão-se livres
E voltam perdidos sonhos de amor...

Um beijo, ah, um beijo, Espanha, longo e suspirado beijo...
Um beijo com a força de fechar os olhos
Abrindo lábios e pernas,
Mãos nos espaços tentando agarrar onde nada há para se salvar...

Ah, Espanha,
Soltando alma toda,
Um beijo, ah, um beijo, longo e suspirado beijo...
Um tanto da respiração boca-a-boca, salvação,
Um tanto de morder, escorregar, entregar
Mais um desejo, ah, mais um beijo, um molhado e desejado beijo
Sem tocar parte alguma do corpo,
A não ser os lábios, delicado resvalar.

Ah, um beijo, somente um beijo, nada mais que um beijo deva ser:
Um voo mais leve que o próprio ar.
Um beijo, nada mais que um beijo,
Fechar meus olhos e te encontrar
Toda alma, toda nua...

Ah, Espanha, como te amo toda,
Que nem versos, nem o timbre da guitarra,
Nem a rosa vermelha entre os dentes,
Conseguem explicar.


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Ana Vidovic Asturias:
http://www.youtube.com/watch?v=Nx7vOb7GNBg


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