sábado, 15 de abril de 2017

Quando se é feliz


Quando se é feliz autor: Nilton Bustamante Quando se é feliz, parece que não se cabe no peito a alegria, é um jeito todo diferente, especial, que a gente precisa pegar em balões e subir para ver o mundo do alto, que há tanta beleza, chegar perto dos céus, agradecer. Uns dizem "cuidado!, os balões podem estourar e a queda causar prejuízos!"; outros dizem "cuidado!, a inveja, o mundo é cruel, muitas pessoas amargas!"; e mais "como você é orgulhoso, vaidoso, precisa se exibir quando há tanta gente triste por aí?" Então... Que as pessoas felizes não desistam do brilho da alegria, desses agradecimentos à vida, melhor correr todos os riscos e fazer-se mira a quem está triste ou quem amargou pelo caminho e mostrar que é possível viver melhor, com outro sentimento, sem esses seculares tormentos; melhor acreditar na luz da felicidade das conquistas de que na escuridão da inveja inerte no medo de tentar. Melhor libertar-se de que viver em clausura de rancores sem fim. Se nos depararmos com quem está com o brilho nos olhos, o brilho de quem está amando, diremos, então, ó, felicidade, parabéns, siga seus encantos! Se nos depararmos com quem conquistou algo material, algum bem, que é sempre provisório, passageiro nesse mundo marcados pelos ponteiros dos relógios, diremos, então, ó, felicidade, parabéns, siga no bom uso de tudo conquistado! Se nos depararmos com quem orou em súplicas e alcançou sua graça, diremos, então, ó, felicidade, parabéns, siga sua alma ou espírito na bem-aventurança, respeite e faça permanecer em si o bem abençoado na terra e nos céus! A Luz não pode sentir-se intimidada pela escuridão, antes, sim, motiva-se a convidar para superiores patamares, melhores lugares todos aqueles que desejarem... ser felizes. É tão bom ver nossa irmã, nosso irmão, conquistando, evoluindo, progredindo, alcançando seus sonhos. E pouco a pouco, saberemos, por fim, que tudo foi apenas um exercitar, um experimentar, preparo para a verdadeira Felicidade que é Amar; e em outra amplitude, maior significado, Amar é preparar-se para em tudo que se fizer será o melhor que possa para bem servir o outro! _________________________ La Veillée – Yann Tiersen http://www.youtube.com/watch?v=lnVIM7UIdZo&


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segunda-feira, 10 de abril de 2017

O INIMIGO NÃO É AQUELE QUE TODOS PENSAM



O INIMIGO NÃO É AQUELE QUE TODOS PENSAM
(Nilton Bustamante, por desdobramento da alma)


Havia eu deixado o meu corpo material, como das vezes anteriores, sem perceber a mudança de dimensão. Tudo é continuidade. Tudo é vida. A vida que se estende pela Eternidade.

Indo de um lado a outro. Fui direcionado para visitar um hospital. Mas, não era um hospital qualquer. Esse era imenso. Inúmeras alas. Inúmeros andares. Parecia por vezes iguais aqueles que já visitei, e de repente abriu-se uma geometria que se expandia e os ambientes ficavam ainda mais colossais.

Encontrei algumas senhoras, que logo percebi serem voluntárias. Carregavam uns objetos grandes, descômodos. Aproximei-me e, mentalmente, coloquei-me à disposição de auxiliar. Permitiram, então, que eu pegasse apenas um daqueles. Seguimos pelos interiores daquela edificação. Chegamos aonde devíamos chegar e lá deixei o objeto disforme.

À medida que passava pelas alas, soube que havia muitas pessoas voluntárias. Dedicavam-se em favor dos necessitados e das equipes médicas e de enfermagem. Alguém me intuiu que estava também o pessoal de um Lions Clube (instituição de prestação de serviços à comunidade). Como participei por vários anos de um desses clubes de Lions, dentro de mim o sentimento de rever alguns amigos. Procurei aqui e acolá até encontra-los. De fato, estavam montando uma pequena festa para os pacientes e funcionários para promover um pouco mais de leveza, pouco mais de alegria naquele ambiente hospitalar. Após conversarmos, mentalmente, segui meu caminho, pois uma força me chamava para outros lugares, algo que eu precisa presenciar.

Andei por vários corredores, dentro de outros corredores. Os ambientes foram de certa forma tomando um ar maior de seriedade. Havia um “peso” de responsabilidade ao redor. Era outra sintonia. Quando vi pequena porta, semiaberta, e adentrei com o olhar e logo uma enfermeira se pôs impedindo minha passagem. Vi uma ala repleta de crianças terminais (se podemos assim nos expressar). Sofrendo muito. Uma calamidade aquele cenário. Intuíram-me que eram todas vítimas das guerras. Atendendo a orientação mental da funcionária, toda de branco, dei a volta e vi uma imagem que me impressionou demasiadamente:  inúmeras irmãs muçulmanas, com suas roupas próprias, porém de um marrom muito bonito com algumas delicadas figuras geométricas estampadas, vibravam em compenetração descomunal. Essas mulheres estavam em formação de um semiarco, meia lua, todas em preces de amor pelas crianças. E a energia que era gerada por aquelas irmãs abnegadas era extraordinária. Nada igual havia presenciado. Dava para ver a “olhos nus” a substância da energia tomando conta de tudo, desde as pessoas, até os objetos daquele lugar.

Para não querer atrapalhar o trabalho e concentração das pessoas envolvidas, procurei sair no maior silêncio possível. Passei por outras alas. Em cada ala havia pessoas voluntárias fazendo suas dedicações. E também me chamou a atenção que cada lugar desses, as pessoas que se entregavam ao bom serviço se coadunavam com suas religiões. Havia os protestantes, os católicos e outros mais. Todos, sem exceção, trabalhavam com seus respectivos grupos para o bem comum, com muito afinco. Porém, apesar da unicidade, da comunhão em fazer o bem, de amparar os enfermos, auxiliar nas estruturas próprias daquele lugar, nenhum grupo chegou nem perto das mulheres muçulmanas que vibravam mente e coração em tal sintonia com o Criador que as energias eram muito próximas do Sagrado.

De imediato, volto ao meu corpo físico. Vi o que tinha que ver. Soube o que tinha que saber.

Ainda deitado, pensei comigo mesmo: as pessoas, em geral, “compram” as ideias daqueles que “elegem” os inimigos do mundo e passam a compartilhar da mesma ira, das mesmas perseguições, sem perceber que se escravizam no ódio, o mesmo ódio que culpam ser dos “inimigos do mundo”. A ideia que todo e qualquer muçulmano é terrorista é tão absurda, como absurda era a ideia na Idade Média que mandavam às fogueiras mulheres que nasciam caolhas ou de cabelos ruivos, pensando ser ligadas ao “diabo”.

Os muçulmanos, por princípio, pela essência da religião, são pessoas humanas que buscam o Bem, são iguais a todos na procura da evolução à Origem Divina. E se há pessoas de almas e mentes perturbadas, criminosas, que se vestem com as roupas de religiosos e matam, então não são religiosos e sim assassinos que se apoiam em qualquer bandeira para justificar seus crimes na busca de poder. E, crime pior, é fazer as “lavagens mentais” para enviar outros em seus lugares para sujarem as mãos de sangue.

Um dia, cada soldado, cada homem e mulher jogará suas armas fora, não atenderá nenhum comando, não serão mais peões indo ao sacrifício no jogo de poder de duas dúzias de homens obcecados pelas ganâncias desenfreadas e podres poderes. Um dia, cada soldado, cada homem e mulher jogará suas armas fora, e passarão a plantar flores.

Devemos imprimir ao nosso interior, e depois ao mundo, um sentimento melhor, algo que se aproxime do Amor, pois não haverá outro meio nem outro mecanismo para as trevas que amargam nossa humanidade modificar, diminuir.

Somente a Luz do Amor dissipará toda e qualquer treva, todo e qualquer crime, leve o tempo que tenha que se levar... Deus possui a paciência divina, nem por isso ninguém está livre de suas responsabilidades.

A paz não se consegue com armas!

Temos que vencer esse ciclo do medo, do temor, do receio, da ideia que temos que viver em masmorras eletrificadas. Busquemos mudar a energia do mundo, algo mais sublime, e essa energia se agigantando por todo o planeta, certamente, alcançará aqueles desgarrados do bem e do amor e saberão que não valerá mais a “pena” sofrer e fazer os outros sofrerem.

Luz e Amor!




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Tomaso Albinoni - Adagio 




domingo, 9 de abril de 2017

ENCONTRO NA CHUVA


ENCONTRO NA CHUVA
Autor: Nilton Bustamante
Ficar assistindo a chuva voar
em mergulho dos céus semeando o chão,
sendo tocado − algo do amor −,
corpo, alma,
suspirando para aguentar um pouco mais
mergulhando
ao contrário
do chão agradecendo aos céus
Assistir molhado, lentamente, sem querer
sair do lugar,
deixar cada gota
todas as águas acertar
o alvo que não quer se proteger
em vez de perder, ganhar vida, a vontade de viver
feliz ao seu lado
Qual foi a última vez que tomaste uma chuva assim?
Deixa o resfriado de lado,
deixa esse medo de se arriscar,
deixa-te fazer parte da Natureza,
seja terra molhada, escorrendo, deixando fluir, acontecer
que não se pode perder beijo algum
a vida é tão linda quando se abraça, quando se ama
deixa a chuva nos regar
Qual foi a última vez que tomaste uma chuva assim?

Nosso próximo encontro,
próxima chuva
tirar as roupas e os sapatos
deitar-se, fazer de conta que se é chão,
ser pista, porto, lago, mar,
dar abrigo aos mergulhos dos voos e viagens das gotas
quentes e frias
que vêm nos visitar
sinta, então, no peito algo além, muito mais de tudo
que te acostumou a se portar feito robô
somos mais que horários certos, meias e cobertor
Não faremos mais refeição alguma que não tenha um vaso de flor
sobre a mesa,
porque somos seres que amam
e o amor é delicadeza, é querer que os dias e as noites sejam magias
acontecimentos que nos faça adormecer sem o medo de pesadelos,
pois os sonhos serão nossos melhores travesseiros
nem o medo nos encontrará na luz do dia, teremos sempre a coragem
de lidar com tudo, com todos,
nem mesmo a morte será transtorno, quando temos a eternidade
para nos colocar asas nos pés e nos fazer pousar em outros horizontes
outros instantes que serão sempre reencontros,
abraços de amor
Estou sentado, olhando através da chuva
vendo-te chegar...


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Al Jarreau – Your Song
https://www.youtube.com/watch?v=OH7xg5Eoi2E&app

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segunda-feira, 3 de abril de 2017

NOVO DIA

NOVO DIA Autor: Nilton Bustamante Rasgando tudo o que já foi tristeza, tudo que já foi engano sorrir ao viver, porque viver é ato de alegria, talvez fantasia dos dias que à noite se sonhou: tudo seria como deveria ser tudo que cada qual respeitou feitos pássaros ao deixar os ares atravessados no peito afagos que arranhou o que estava inteiro querendo ser provocado marcado para não se passar em vão lábios e ouvidos segredos descobertos deixados em caminhos chamados por igual, a tal felicidade Tudo seria como deveria ser corações exercendo suas missões ao mundo, levando ao alto a bandeira do amor Abrem-se às gentilezas, às tolerâncias, andam-se pelos verdes dos campos, lançam-se às montanhas possíveis de ver por trás do mundo, delicadeza dos gestos e das vozes em murmurar feito mar lançando cada palavra, como se lançam os navios a se aventurarem em promessas de voltar o antes possível para tudo recomeçar, tudo sentir novamente em delírio dos primeiros abraços, quase infantis, quase juvenis, coisas dos primeiros sonhos dos meninos e das meninas que não deixam o peso do mundo impedir o que mais se deseja, o que mais se buscou Ah, amor, Abra-te que nasceu a vontade que derruba todas as portas, todas as comportas, e com toda a força se abraça em macia magia de dois seres que não levam em conta nem as roupas nem os nus pois a explosão é muito mais a febre do querer muito mais que todas as alucinações o simples dos olhares que se encontram, que se inundam Dois planetas formando novo sol, sempre o raiar de novo dia