sábado, 29 de novembro de 2014

TRÊS MARIAS



TRÊS MARIAS
Autor: Nilton Bustamante

Você sabe porque dessa insensatez
Entre a coragem e a timidez
Você sabe porque é preciso cantar por dentro
Andar por aí sem som, sem instrumento,
Sem ao menos disfarçar?

E nem perceber o telefone decorar o outro de alguém,
Registrando tudo,
Querendo saber de muito mais,
As medidas
Das asas voando como quem ama a vida
E não tem medo das alturas
Nem das vertigens...
Indo longe, longe, longe,
Passando pelas poeiras do tempo
Pelas praias onde moraram os primeiros sonhos,
Pelas terras sem estradas
Cheirando os matos e as matas de agora
Num eterno retorno ao ventre da Mãe Natureza, senhora de todos nós

Você sabe porque pulsar o nome de alguém
Para as Três Marias
Três vezes o sagrado número
Três buquês com os perfumes dos laranjais e jasmins,
Alinhando seu nome ao nome de outro alguém?

Ah, a idade nada tem a ver com a vontade, a necessidade
De amar,
Feliz é quem levita e vê o mundo mais ao alto, mais bonito
Mesmo que outros olhos de pedra, outros corações sem sorrisos
Tentarem você acreditar que nada mais vale a pena,
Voe mesmo assim, e lembre-se,
Mesmo atravessando as jornadas das distâncias e do não-tempo
Os raios do sol chegam sempre ao amanhecer

A alma é grande, grande, abraça o mundo quando quer,
Quando acredita
Que algo dentro de si é riscado a fogo divino

Ah, lança teu hálito de vida
Ressuscita o que se perdeu no tempo do medo
No tempo dos descuidos,
Do esquecimento,
E cante o canto por dentro
Andando por aí sem som, sem instrumento,
Sem ao menos disfarçar que se está feliz


...






PISCAR DE SONHO


PISCAR DE SONHO
Autor: Nilton Bustamante

Levantar voo
Lançar-se no espaço, no além muito além de si mesmo,
Ser meteorito
Arenito desmanchando-se, desfazendo-se pelo caminho

Levantar voo
Como se fosse possível tirar os pés do chão
Dar um grito de basta
Um desabafo
Para a arrancada ser forte, importante
Sem medo de saber o que virá depois
Sem tempo de vestir as meias, colocar os sapatos
Ir para o encontro sideral

Ser planetário
Ser totalitário no próprio peito
Deixando o coração sem o peso da gravidade
Sem o aperto da saudade

Apenas a liberdade
Ir além
Muito além
Das luzes acedendo, se apagando

Ser totalmente espaço
300 mil quilômetros por segundo
Corpo sem corpo
Luz em projeção, piscar de sonho,
Em tão rápida vontade de ser, sentir expandir felicidade

Ser capaz no próprio ventre, mais um universo
Gerar e parir mais um planeta, de amor!








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Beatles – Because
https://www.youtube.com/watch?v=Fgq2tLvBhZ4
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terça-feira, 25 de novembro de 2014

QUANDO CAEM ESPADAS DOS CÉUS


QUANDO CAEM ESPADAS DOS CÉUS
por Nilton Bustamante

Quando dos trabalhos espirituais de desobsessão na casa de orações, quarta-feira, em 19 de novembro de 2014, com os nossos olhos cerrados, algo muito real mostrou-se diante de nossas mentes; porém mais que uma tela de cinema, plasmada, era como se fôssemos levados, sem ao menos percebermos, para um ambiente campal, rústico, de outras épocas, de outros costumes, em longínquo continente. Apresentaram-se muitos homens que, um a um, se agrupavam sobre seus cavalos com grande destreza, tinham roupas e aparência que nos sugeria serem da Mongólia ou regiões vizinhas...

Quem comandava o grande grupo de cavalarianos, era um homem que se destoava pela energia do comando, pelo olhar frio e penetrante, daqueles que impõem nos outros um sentimento diferente de respeito, impõem o medo ameaçador. Esse comandante possuía a fama que lhe antecedia em quaisquer paragens em que chegava: a de fazer os seus inimigos “sorrirem” para ele, sempre. E esse “sorrir” era abrir a faca e a espada os cantos da boca, de orelha a orelha dos seus oponentes. Terrivelmente, ficavam com o “sorriso do medonho”. Gabava-se, esse rude homem, que não havia inimigo que lhe fazia cara feia em sua frente!

Essa peregrinação de atrocidades alongou-se após os desencarnes de toda essa turba de guerreiros. Mantinha-se os mesmos modos, os mesmos grosseiros costumes, mas que agora, algo muito importante aconteceria. E aparentemente estávamos ali para assistir, apreender, e quem sabe nessa comunhão entre energias do mundo espiritual com o anímico estaríamos para um bom propósito.

Em menos de um piscar de olhos, vislumbramos uma força vinda dos céus e que tirou as espadas das mãos dos guerreiros, feito a irresistível força de um imenso, imponderável e invisível imã escondido nas alturas. O insólito estava diante dos olhos de todos, principalmente dos assustados e desarmados homens, que esforçavam-se para não caírem de seus, agora, incontroláveis cavalos que arranhavam com as patas o ar e o vazio. Todas as espadas subiram, velozmente, às alturas, apontando os céus; mas até chegarem a certo ponto. Depois disso, ficaram imóveis. Os homens, incrédulos, não conseguiam tirar os olhos das espadas e no que estava acontecendo. E, de repente, muito lentamente, quase que em câmera lenta, as espadas que pareciam espetadas nos céus, começaram a girar e tomar sentido contrário, com as pontas agora em direção daqueles homens. Aí o alvoroço se fez de vez, todos escapuliram sem direção, para onde era possível. Mas, o grande comandante, foi o único que caiu do cavalo. Ficou estendido no solo de terra firme, fixando o olhar nas espadas nos céus. Chuvas de espadas desceram como raios. E ficaram encravadas no chão até na altura das empunhaduras. Muitas e muitas ao redor do aterrorizado comandante, sem no entanto acertar-lhe uma se quer. Depois daquela saraivada de espadas, parecia que tudo havia terminado, porém, no céu ficou somente uma espada. As pupilas do homem petrificado ao chão, sem forças, sem meios para reagir, nem mesmo para a fuga, reconheceu, de alguma forma, que aquela era a sua espada, a espada que rasgou incontáveis bocas, desfigurando as faces de infelizes vítimas. De imediato, a espada veio a mil em sua direção. Quando ele pensou ser seu fim, a ponta da espada parou a décimos de centímetro entre seus olhos. E assim ficou, em ângulo reto, vibrando uma força ameaçadora, a um triz de ferir ao aturdido homem; sendo que o mesmo ficou ali, estagnado, olhando fixamente para a aguda ponta do início do fio da lâmina, como se seu orgulho estivesse dominado por um invisível oponente que lhe impunha uma derrota nunca antes amargada em suas incontáveis lutas.

Um irmão da Espiritualidade Maior se aproxima sem mostrar-se, e nos vibra em onda mental: “esse nosso irmão, terá que ficar dessa forma, preso, inerte diante da ameaça da própria espada; assim foi feito para auxilia-lo em manter o seu pensamento fixado, sem desviar-se para as outras viciosas questões da brutalidade em que estava acostumado. Usou-se a linguagem que ele entende. Ficará sentindo a ação desse salutar momento para suas reflexões, íntimas reflexões, que, no tempo certo, as fará despertar para outras saudáveis formas de pensar, dando-lhe molde para futuras ações que lhe serão úteis para a sua própria evolução.”

Neste exato momento, nossa atenção foi trazida para o ambiente da reunião espírita, para a mecânica própria de outros acontecimentos e afazeres mediúnicos.



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Mozart - Requiem




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domingo, 16 de novembro de 2014

ROSAS ENTRE IRMÃOS


ROSAS ENTRE IRMÃOS
‘autor’: Nilton Bustamante

Moramos em uma rua tranquila. E de fronte à nossa residência, tivemos por anos um casal de vizinhos que sempre se mostrou simpáticos na cordialidade superficial do dia a dia.
Ele, filho de russos, ela, professora. Era o que sabíamos.
Meses atrás esse vizinho faleceu, passou para a pátria celestial. Algo fulminante. Quando soubemos do ocorrido, havia passado alguns dias. Encontramos a viúva na rua, e ela, emocionada, contou-nos os pormenores. E o que nos chamou a atenção era a calma nas palavras, e um certo entendimento da mecânica da vida... Parecia que ela estava lidando bem com essa dolorosa situação. Disse-nos ainda que há pouco tempo estava frequentando uma casa espírita kardecista, a alguns quarteirões de nossa rua. E, ainda, começou a fazer o Evangelho no Lar (leituras e preces, em dia e horário determinados para harmonizar, espiritualmente, o ambiente do lar).
Com esse ocorrido, surgiu nova realidade, e essa nossa vizinha se aproximou bastante de nossa família e procuramos ser-lhe úteis à medida do possível, tal como imprimir alguns documentos, enviar e-mails, etc. Ela toda agradecida, passou a nos mimar com alguns doces, pães, e muitos sinceros sorrisos.
Certo dia, em nosso quintal, brotaram várias rosas vermelhas, da qualidade Príncipe Negro, realmente muito bonitas. E, era exatamente no dia em que a nossa vizinha veio nos visitar por um motivo qualquer. Fui ao quintal e recolhi uma daquelas rosas perfumadas e minha mulher e eu entregamos de coração aberto para ela. Lembro-me de sua felicidade ao receber a flor.
Entre muitas idas e vindas, durante muitas semanas, essa nossa vizinha chega ao nosso portão com duas rosas: branca e amarela. Estava extremamente emocionada. Ao adentrar em nossa casa, ela nos ofereceu as rosas e começou a chorar... Diante da nossa perplexidade, contou-nos, que, ela foi participar de um Evangelho no Lar com um grupo de amigos, na residência de um deles. E que ao final das preces, um dos participantes (que possui leve retardo mental), disse que precisaria falar com ela, em particular. E o seu coração mal pode se aguentar ao que ouviu... Disse-lhe o rapaz: “No final das preces, surgiram dois espíritos, um era um mentor orientador, e outro era o seu finado marido que pediu-me que desse o recado à sua mulher (nossa vizinha), que ele estava bem e era para ela entregar uma rosa branca e outra amarela em retribuição àquele casal que já lhe havia dado uma rosa vermelha...”

Destacamos que o grupo não conhecia o marido da viúva, e nem nunca soubera qualquer coisa de nós, os vizinhos.
Por isso, bons irmãos, devemos nos manter na fé, na confiança em Deus, que a vida realmente é eterna, que a energia divina é infindável e o amor é o caminho, único caminho a seguir.

Luz, Paz e Amor!
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sexta-feira, 7 de novembro de 2014

CONVERSANDO COMIGO




CONVERSANDO COMIGO
Autor: Nilton Bustamante


Eu falo de mim, porque falo comigo o tempo todo

− Tento me conhecer −

Eu falo do mundo, porque falo com o mundo o tempo todo

Olho raso, olhos fundos e vejo que o mundo tem um olho em todo lugar

Eu acompanho tudo que se move, tudo que para, para aprender,

Saber algo mais, quem sabe alguma escada,

Alguma sacada − ideia ou mirante −, alguma ponte para o lado de lá?



Tenho pressa, mas minha pressa tem todos os tic-tacs do mundo

Uma hora é tempo demais, outras é certeza

Que não se tem nada,

Em algum momento é canção, dessas que a gente quer ouvir pra sempre,

Outra hora é bomba que ameaça explodir nas próprias mãos.



Não tenho mais tempo para aprender a tocar piano, nem pra cantar

Se bem que, em meus sonhos, canto e toco

Música clássica, ópera,

Pelo menos isso, essa outra dimensão, esse supra, esse inconsciente,

Esse sei lá o quê?,

Essas fatias,

Essas composições do solo que formam ao longo da existência todo o ser...



Tenho tempo para aprender o francês, mas a Aliança Francesa quer algo em troca,

E eu só tenho poesias, quem vai querer?

Não tenho medo do escuro, mas continuo ascendendo, acedendo interruptores

Cada vez mais altos

Cada vez mais a um dedo do alcance

Estico-me todo dentro de mim pra amanhecer



E não tenho medo da morte, mas tenho medo de me esquecer de mim

Tanto

Que falo de mim, porque falo comigo o tempo todo

Não sou sábio, nem tonto,

Quero aprender do que são feitas as palavras, esses códigos, esses ícones repletos de sons e sentidos,

Cada um desses portais

Que se abrem, que se oferecem, que se entregam

E eu tento entender pra saber o que há dentro e fora de mim

Se há algo que eu possa aprender, algo a oferecer...



Ah, preciso dizer antes que me esqueça,

Entrar nos olhos dos olhos de todos os olhares

Sem pedir licença, sem bater à porta, sem bater a porta,

Tenho curiosidade com esses brilhos

Tenho fascínio

Tanto pra viajar, visitar os lados intocados da alma,

Tanto pra ficar beira de lago, beira de rio e ficar olhando as águas passarem

E ouvir o que falam, o que tentam murmurarem...



E se um dia não encontrarem as palavras diárias, dos diários do mundo

Que tento escrever, que tento trabalhar

Construir algo

Ajudar algum sentimento se manifestar

É que me encapsulei, virei algum tipo de nave, fui cósmico dentro de cada ser ou não ser diante de um crânio de caveira

Pelo caminho

E fui da borboleta ao casulo, e me transformei em algum tipo de poeta vagamundo...

Porque tenho pressa, mas minha pressa é outra, não é deste mundo...







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Jean-Luc Ponty - Mirage

https://www.youtube.com/watch?v=bKkMvBvyqvE&list=PLA76222610C5A8B0A















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segunda-feira, 3 de novembro de 2014

PIPAS NO AR (Homenagem ao filme Les Choristes)



PIPAS NO AR
Autor: Nilton Bustamante

Os sons-girassóis vêm de longe,
vêm do lado de lá do universo
vêm pra enfeitar os céus,
os nossos olhares quando veem pipas no ar

A alma ouve, sente
e a esperança em estrelas surge doce,
como o nascer de uma criança
ao ser recebida pelos abraços da mãe
que brilha toda sorriso entre encanto e lágrimas
no mesmo coro, sinfonia da vida pelo ar

E a esperança lança seu olhar
pelos vãos da porta-portão-imensidão
mesmo quando tudo parece impossível
quando tudo em volta é antigo, triste
um sábado que nunca chega

A espera agarrada nos ferros, na grade,
como um prisioneiro
espera a liberdade, a tão sonhada pipa que está bem alta,
livre nos céus
que sobe sem linha,
e com todas as cores se vai para ser mais um pingo,
na chuva
que formará arco-íris
em céu mais alto, mais bonito

Os cantos dos pássaros que entoam depois das madrugadas
acompanham novos raios
em tudo brilha o milagre e a graça
um sol que se renova a cada manhã
mesmo encanto, o mesmo brilho,
ouvidos atentos, o mesmo olhar

A criança torna-se velho
e o velho torna-se criança
brincando com a vida
é o milagre do encanto dos sons-girassóis que vêm de longe,
vêm do lado de lá do universo
vêm pra enfeitar os céus de nossos olhares
para mostrar que a distância, o tempo e a vida
são estrelas ensaiando ficar em um só lugar

Não viemos para conquistar, viemos para servir

Viemos para clamar a vida
dar vivas às estrelas
enquanto a noite se acalanta,
e os sonhos mesmo com as guerras permanecem
inteiros, imensos, além dos próprios pensamentos
além de tudo que nos faz presos ao chão,
além de tudo quanto tenta concretar nossa ilusão

Viemos aprender acompanhar os pássaros, voar,
e quando as manhãs se apresentarem
seremos a esperança em nós mesmos
em nossos céus,
e nos olhos de outros que ainda estão segurando as barras,
as grades, prisioneiros
que de tão longas as penas
esqueceram-se quem são, e porque vieram
saber do x da questão

Para esse universo
que nasce em nós,
há céus nos esperando que sejamos nós pipas no ar
sem linhas a nos segurar,
sem impedimentos que nos faça, mais uma vez, sonhar

Não viemos para morrer, viemos para renascer
Não viemos para conquistar, viemos para amar




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(Homenagem ao filme Les Choristes)






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música e filme maravilhosos:
Les Choristes - Caresses Sur L'océan
http://www.youtube.com/watch?v=Q0svzdqOOWo


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