domingo, 26 de julho de 2015

SANT'ANNA


SANT'ANNA  
  (por Nilton Bustamante em desdobramento de alma)

Logo que adormeci, fomos levados por uma força descomunal que me tirava do chão. Entre ruas levitava. Em certos cruzamentos vi os perigos, pessoas perigosas, mas eu não mais fazia nenhuma resistência. Havia-me entregue logo após de uma emanação mental ter-me “soprado” que era para eu me acalmar e confiar.

Uma igreja veio em minha direção. E ao ser levado à entrada, ainda deu tempo de ler ao alto da porta: “Sant’Anna".

Por fim, uma santa, bem mais ao alto, orava em lágrimas. Não aguentei e, respeitosamente, a beijei.

Uma forte emoção fez-me iniciar uma prece... E pedi-lhe:

“Sant’Anna nessa nossa condição humana,
Quando minha hora chegar,
Não me deixe entre ruas sem altar,
Na casa do Senhor me faça entrar...”.




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canção SANT'ANNA
 (Márcio Bragança e Nilton Bustamante)

https://www.youtube.com/watch?v=GeQbghrejY8






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sábado, 18 de julho de 2015

LÁGRIMAS DO CÉU



LÁGRIMAS DO CÉU Autor: Nilton Bustamante Eu não saberia por mais que fossem muitos os meus dias Que precisaria da alma portuguesa Entregue pelos olhos, pelos olhares Para ver outro universo, este os dos telhados − tapetes dos céus −, Com as marcas dos tempos, o longe da história, Como se fosse possível caminhar um a um e sob os pés as casas, Casarões, subidas abraçadas a descidas, Encontros de tudo quanto acantoou-se pelo esquecimento De quem no silêncio, sem fado algum para chorar seus lamentos Esticou-se ao Tejo deixando-se ir pela correnteza Para quem sabe sem mesmo sair de lugar, partir. Lisboa velha, nova Lisboa, Em conversas do que se foi e o que está por vir, Feito rio que atravessa os tempos a lavar as almas, Como disse o poeta: “Difícil guardar um rio, ele corre dentro de nós”. Assim como um “eléctrico” carregando ao seu alto o letreiro PRAZERES, Em trilhos certos se esmerando nas curvas Chegar-se afinal ao ponto de partida. Sei que amo mesmo por inteiro esse Portugal Que trilha todo em mim, Quando não sei mais se sou salgado mar, Ou pássaro que cruza as alturas das serras verdes a rodear as flores Ouvindo “Lágrimas do Céu”, carregadas de sentidos amores. Ah, por onde fores pelas alamedas, Dos altos das vistas, Sê em mim essa vontade de viver, Essa certeza de encontrar em ti, O que eu tenho e o que perdi. . . . ................................................. (imagem: "Telhados de Lisboa", de Luíza Caetano)


_______________________ fado: Carminho _ Lágrimas do Céu https://www.youtube.com/watch?v=-3fc5JhsCZg .

sexta-feira, 10 de julho de 2015

SUSPIRANDO BAIXINHO EM DEZ DE JULHO DE DOIS MIL E QUINZE


Suspirando baixinho em dez de julho de dois mil e quinze
Autor: Nilton Bustamante

Hoje foi um dia de buscas, de repetições, certificar-se que o céu é mesmo azul depois das nuvens.

Hoje foi um dia que andou-se muito, chegando perto do encanto, que a vida é mesmo bela, e o sentido do olhar é pequeno trecho do sentido maior; somos mesmo crianças brincando de vida, vida que desconhecemos...

Hoje foi um dia de planos, doces planos, empenhando o tempo que imagina-se que se tem, que tudo é mesmo leve quando se ri do peso das coisas, do giro do mundo, carrossel em que nos revemos e nos cruzamos giro após giro, roda do tempo, todos os dias; o abraço é mesmo o melhor dos sentidos dos encontros quando há amor...

Hoje, suspirando baixinho em dez de julho de dois mil e quinze, deixei meu corpo voar com os passarinhos, pois a alma já estava longe, longe.


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Space Coast

https://www.youtube.com/watch?v=ziB7GW47mwg
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sábado, 4 de julho de 2015

1984


1984
autor: Nilton Bustamante

Tijolos levantados, uns sobre outros,
Direitos ou tortos, o que era possível ser
Algo que se anunciava entre vãos, entre aquilo que seria paredes
Mas, que se desenhavam apenas espelhos dentro de espelhos,
Se vendo ao longe a mesma imagem aprisionada no amanhã

Não é uma simples foto que vejo agora depois de tanto tempo,
Não é uma simples vida
É mais que mulheres e homens
É mais que carne cortada com gosto de separação e morte

1984, um pedaço desse tempo, elo perdido,
Não de uma construção qualquer,
Essa com foto e tudo mais, construção da separação e sorte

Minha alma − pensei ser que era forte −, mas de forte ficou apenada, sozinha,
Abandonada, entre selva de ferro e aço
E a ameaça de encontrar um amor
Feito caça, feito quem precisasse se alimentar pra não morrer

Era resposta que meu pai me herdava para sempre
Para eu me lembrar nos dias tristes e frios
E essa coisa de ficar sem saber o que fazer
Depois que anoitecer

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foto by Lê
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Milton  - San Vicente
https://www.youtube.com/watch?v=p5k2Kl510b8


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