sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

ACASALARES



ACASALARES
Autor: Nilton Bustamante

Ah, eu suspiro mesmo, gemo esse ranger de alma,
Desse jeito como quem sente tudo por dentro sem poder entender direito,
Não é frio, mas gela, me faz sentir falta de coberta, querer um ninho.
Não é dor, mas machuca, essa ferida invisível que lambo todas as noites!...

Ah, eu uivo o lamento da procura em noite escura
Dessa loba que ouço distante, no frio da mata Atlântica,
Esconderijo qualquer...
Poderão dizer que não há loba em tal lugar,
Mas, não me importo, eu sei, eu sei,
E eu ouço e respondo igual aos inaudíveis auuusss, auuusss!...

Ah, mulher que me abre suas frentes diante dos espelhos
E eu procuro as chaves de todas essas celas
Pra beijar sua boca, mastigar sua alma, como se fossem última refeição.

Ah, mulher que faz meus desejos transformarem-se em ondas
Enxurradas levando tudo, turvando minhas vistas,
E a garganta seca feito deserto de sol de mil graus...

Ah, mulher que se desfaz desejos em úmidas vertigens de loucuras e receios,
Que na boca macia gruda o visgo da saliva no beijo meu.

Ah, esse suspiro, esse ranger de alma,
Em outros visgos mais, esses outros grudares, outras colas
Que te escorrem pelos cantos do corpo e da alma
Lembrando desses uivos, desses acasalares
Em noite de lua cheia em nossas fogueiras
Que não queimam com fogo, nem com outra chama qualquer...

Esse fogo é muito além, é fogo de amor!

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Alberto Nepomuceno - Suíte Antiga - Ária
http://www.youtube.com/watch?v=UeAfKwIUocw

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