quarta-feira, 21 de setembro de 2011

BUSCANDO A SAÍDA


BUSCANDO A SAÍDA
  "autor": Nilton Bustamante

Estava eu em um prédio e procurava freneticamente a saída.
E quanto mais eu procurava, maior parecia ser a fuga.
Descia as escadas uma após outras com a respiração controlada, tomava do ar para os pulmões adentro fazendo o mínimo ruído possível para não ser notado. E quanto mais eu procurava a saída, notava que as perseguições que sofria eram maiores. Quando conseguia disfarçar e encontrar a porta de vidro, a saída, eu pulava de uma só vez os últimos lances das escadas e saía com a sensação de imensa liberdade, mas logo se desfazia a alegria, pois percebia que não era a rua, continuava eu ainda dentro do mesmo prédio, e tudo recomeçava, continuava a mesma saga, a mesma corrida, a mesma fuga, a mesma procura a mesma saída para a rua. 

Estava eu em um prédio e procurava freneticamente a saída.
E quanto mais eu procurava, maior parecia ser a fuga.
Eu sentia que havia outros iguais a mim que tentavam a mesma procura, a mesma saída... 
E novamente a perseguição de alguém, de alguma coisa, sempre próximos dos meus calcanhares, mas eu não conseguia saber quem ou o quê?
Descia as escadas uma após outras com a respiração controlada, tomava do ar para os pulmões adentro fazendo o mínimo ruído possível para não ser notado. E quanto mais eu procurava a saída, notava que as perseguições que sofria eram maiores. Quando conseguia disfarçar e encontrar a porta de vidro, a saída, eu pulava de uma só vez os últimos lances das escadas e saía com a sensação de imensa liberdade, mas logo se desfazia a alegria, pois percebia que não era a rua, continuava eu ainda dentro do mesmo prédio, e tudo recomeçava, continuava a mesma saga, a mesma corrida, a mesma fuga, a mesma procura a mesma saída para a rua. 

Em um dado momento notei a figura muito conhecida pelo público brasileiro, fazia o seu programa de entrevistas, e era evidente que a tudo e a todos observava com certo ciúme, com certo cuidado, uma nítida torcida contrária para que ninguém conseguisse encontrar a tal saída tão esperada, tão ansiosamente procurada. Eu percebi os seus olhares indispostos, de traição que vinham certeiros em minha direção. Para piorar as coisas para mim, surgiu um grupo de seguranças do lugar – sabe-se lá o que eram? - que me perseguia cada vez mais próximo dos meus calcanhares, sempre a um triz de encostar as mãos em mim... E eu corria, corria, corria mais ainda, até que por intuição comecei a fazer a fuga por caminhos não óbvios, não esperados pelo senso da lógica: parei de descer as escadas e me pendurei pelas vidraças – logo eu que tenho medo das alturas. Tomei outra alternativa de fuga, não antes de seguir com os meus próprios olhos aquele senhor, gordo, mas ágil feito gato que me espreitava nas escadas abaixo enquanto a turba ameaçadora vinha pelo lado de cima. Quando tudo parecia perdido, consegui com muito sangue frio escapar, passando escadas abaixo sem ser notado para minha sorte. Nesse instante, vi outra pessoa que tomava desesperada fuga, da mesma forma que eu, reconheci ser o ator Marcos Assunção, pelo menos parecia ser ele. Cada um seguia por si. Depois de enganarmos a todos, estávamos juntos correndo na mesma direção. Descíamos as escadas uma após outras com a respiração controlada, tomávamos do ar para os pulmões adentro fazendo o mínimo ruído possível para não sermos percebidos. E quanto mais procurávamos a saída, notávamos que as perseguições que sofríamos eram maiores. Quando conseguimos disfarçar e encontrar a porta de vidro, a saída, Marcos Assunção – ou quem parecia ser ele – gritou com toda a alegria: “consegui! Minha mãe sempre me disse que eu conseguiria um dia encontrar a saída!” e pulamos de uma só vez os últimos lances das escadas e saímos com a sensação de imensa liberdade que logo se desfez, pois percebemos que estávamos ainda dentro do mesmo prédio, e recomeçou a mesma saga, a mesma corrida, a mesma fuga, a mesma procura, a mesma saída para a rua. 

Parecia filme de cinema. “Acho que já assisti algo parecido”, pensei. Um filme que mostrava cenas onde parecia ser o fim, mas recomeçava no primeiro ato, em um círculo interminável. 

Agora já não era o Marcos Assunção e eu, havia outros tais como nós na mesma saga, mesma corrida, a mesma fuga, a mesma procura, a mesma saída para a rua. Quando sem menos esperarmos saímos todos em um lugar bem amplo, mas nada que parecesse com um prédio, pois o local era outro ambiente, parecia ser um vale com vegetação misturado com os perigos da savana. Nesse lugar já se encontrava um grupo de pessoas que vivia outra realidade. O encontro foi pacífico, nos receberam com certa indiferença até. Vi um animal caído que havia sido morto por outro a pouco. Logo um estrondo e um grande leão cai morto. Vários homens carregaram o leão com o focinho ensangüentado. Caminharam e sumiram pelos arbustos. Algo mais insólito estava por vir. Nesse lugar onde estávamos nos deparamos com alguns poucos degraus que sugeriam um convite para o que poderia ser um palco ou um altar na pequena elevação. Todos nós que havíamos a pouco chegado em difícil fuga e os outros que já eram desse recanto, fomos estimulados a subir esses degraus, ir para essa elevação, esse palco, esse altar – eu que estava exausto de tanto descer escadas sem-fim, agora subia alguns poucos degraus - e alguém começou a cantar a canção “Jesus Cristo” do Roberto Carlos e insinuou que fizéssemos o mesmo. E a música começou a vir pelos céus, pelos ares, e uma grande alegria tomou conta de todos; batíamos palmas no ritmo da canção com os braços erguidos e tentávamos seguir o canto, a letra, cantando juntos a mesma radiante felicidade. E a minha emoção foi estupenda ao olhar o brilho dentro dos olhos de todos e descobrir por fim, a saída.



...

Desdobramento, 21 setembro 2011, às 03h da manhã.


...
Roberto Carlos – JESUS CRISTO


Nenhum comentário:

Postar um comentário