domingo, 16 de janeiro de 2011

IDADE MÉDIA DO ESPÍRITO


IDADE MÉDIA DO ESPÍRITO
Nilton Bustamante  (em 16-01-2011)

Deus não pode ser responsabilizado pelas más ações dos homens, dos homens inconsequentes, quando todos nós possuímos o livre arbítrio, o poder em decidir, arcando assim com as responsabilidades desses atos, dessas ações ou inércias.

Todos nós temos aquela “voz íntima”, orientadora, amiga verdadeira, bussola presenteada pelo Pai. No homem há inteligência inconteste, o que falta na maioria das vezes é sabedoria. E só se chega à sabedoria através dos caminhos da humildade, dos bons aproveitamentos das vivências, e, principalmente pelo caminho do Amor.

O ser humano, muitas vezes, sente-se superior, mas por sentir-se de tal forma, já é sinal de orgulho canceroso. Nesse estágio, o homem procura somente satisfazer suas vontades inferiores tomadas de egoísmo e vaidades, acreditando ser "Senhor Feudal" de sua própria alma, causando arbitrariedades contra si mesmo, no fim das contas seu reino não será próspero. Buscar a vontade pela vontade e nada mais, prendendo-se em invisível fio nas instâncias animalescas será castigo auto imposto, onde o carrasco e vítima serão a mesma pessoa.

Deus colocou um Universo repleto de ensinamentos, mas, nem Ele pode viver por nós as nossas experiências, da mesma maneira que os pais não podem viver as experiências de seus filhos. Mas, oh, esperança das esperanças, quando tudo parecer perdido, acabado, não nos esqueçamos que há o longo das existências para, na pluralidade das vidas, no auxílio por nós das benditas inspirações, chegaremos somente ao acerto, experimentando algo perto da grande Felicidade, ensaiando os passos da harmonia completa com as Leis Universais.

Irmãos! Não nos esqueçamos que a invisibilidade da saudade de um pai, de uma mãe, pelos seus filhos é real, e de tão tangível chega apertar corações. Não nos esqueçamos o que se passa entre olhares de almas comunicantes − aos outros olhos tudo é invisível −, mas, quantos filmes, quantas imagens, quantas coisas passam de concreto. Assim também o é em nossas vidas que, aparentemente, só vemos desgraças, só sentimos infelicidades, acreditando que Deus se esqueceu de seus filhos... E, enquanto estamos reclamando o “distanciamento” do Pai, não percebemos que essa distância está em nossos olhares, em nossa visão, a visão de quem se preocupa somente consigo mesmo. Planta espinhos e quer colher flores, como pode ser?!. A mão invisível do Pai Eterno é atuante por nós desde antes de sermos na existência, antes dos tempos nos tempos.

Que possamos sair dessa Idade Média em que submetemos a nós próprios, e fazer dos nossos feudos até aqui espíritos encarcerados em celas de carne e osso eletrificadas pela dor, ou enquanto espíritos desencarnados doloridos pelos remorsos de feitos inglórios, para verdadeiros espíritos livres semeadores de Luz, Amor e Boa Vontade.



Antes de terminar este texto, já era madrugada, fui dormir. Pedi à sóror Joanna De Ângelis e a outros Irmãos da Espiritualidade bendita que me proporcionasse algo substancioso para terminar essas linhas, para deixar de forma mais didática algum ensinamento para todos aqueles que aqui pousassem suas atenções. E assim foi. Ao deitar-me, adormeci rapidamente, e em desdobramento levaram-me ao encontro de um amigo que havia desencarnado já algum tempo. Ele encontrava-se na idade média do homem terrestre quando seu corpo sofreu o ataque da esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma doença neurodegenerativa progressiva, chegando a óbito. Ele que havia carregado o peso de várias revoltas e contrariedades; revolta contra a doença, a ira contra algumas pessoas, inclusive contra seu irmão mais velho (que é grande amigo meu até nos dias de hoje). Ao deparar-me diante dele exclamei mentalmente o seu nome e ele me olhou. Ambos ficamos surpresos. Disse-me que já estava em franco progresso naquele lugar, já conseguia sentar. E o motivo era simplesmente por se livrar de parte do peso que ele carregava na alma: já não possuía a revolta contra a doença e não havia mais contrariedade contra o seu irmão mais velho. Respondi-lhe, simultaneamente, sempre mentalmente, que eu iria dar a notícia ao seu irmão. E parti daquele lugar, retornando ao meu corpo físico.

Ao acordar no mundo dos homens, liguei para esse meu amigo, dei as notícias e da necessidade da continuidade das preces que são pontes de Luz que unem corações.


Beijos de Paz e juntos com o Mestre Jesus nas pulsações da Eternidade!


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Luc Arbogast "Le roi a fait battre tambour"
http://www.youtube.com/watch?v=9J7KRfD1FF0&

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